Preconceito Linguístico

Enviada em 01/11/2018

Segundo o artigo 3 da constituição brasileira de 1988, é necessário promover o bem de todos, sem preconceitos por raça, cor, sexo, idade ou quaisquer outras formas de discriminação. No entanto, no Brasil, a realidade é diferente do papel, resultando em um depreciativo preconceito linguístico social. Desse modo, por conta da desigualdade social e da intolerância em diversos âmbitos, a língua comunicativa está sendo usada como justificativa para uma discriminação sem fundamentos. É necessária, então, a análise das causas dessa problemática para a realização de possíveis intervenções.

No Brasil, a concentração monetária está na mão de poucos desde o período colonial. Tal fato dificulta o acesso à educação por parte da população, resultando, segundo o IBGE, em 2,5 milhões de crianças e adolescentes fora das escolas. Outrossim, a falta de escolaridade proporciona uma linguagem comunicativa diferente da dita correta pela gramática normativa. Assim sendo, parte das classes com maior contato com a educação e com maior poder aquisitivo ridiculariza a fala dos mais pobres, ao denominaram válida apenas a língua formal, por meio de comentários jocosos e correção dos “erros”.

É válido afirmar, portanto, que além da necessidade de aumentar a taxa de escolaridade do país, é necessário extinguir o preconceito por conta da não adequação à norma culta. Pois, por conta das ofensas diversas pessoas decidem se calar do que ter que lidar com a repressão por conta de suas falas. Assim sendo, a desigualdade de fala afeta até mesmo a democracia, pois, segundo Nick Couldry, grupos sem poder de voz são condenados à inexistência, por não poderem demonstrar suas vontades e necessidades no espaço público. Dessa forma, para respeitar a constituição as consequências do assédio linguístico, supracitadas, devem extinguir.

Destarte, a Receita Federal deve, indubitavelmente, em parceria com o Ministério da Educação, analisar a melhor forma de redistribuição dos impostos para aumentar o investimento monetário no ensino básico, pois dessa forma, o número de pessoas não alfabetizadas diminuirá e com escolaridade para todos a meritocracia ressurge desencadeando, a longo prazo, o fim das desigualdades sociais extremas. Além disso, o Estado, junto aos meios midiáticos, deve, por meio das redes sociais, promover campanhas que, de imediato, informem o quão errônea é a persistência de atitudes com teor preconceituoso e suas consequências. Isto posto, uma nação igualitária e respeitosa para todos sairá do papel e passará a ser realidade.