Preconceito Linguístico
Enviada em 01/11/2018
Desde o século XX, os modernistas brasileiros buscaram valorizar as variações da língua brasileira, criando uma identidade própria para o país. No entanto, quando se observa o preconceito linguístico como uma realidade onipresente no país, percebe-se que os ideais do movimento não foram concretizados. Nessa perspectiva, cabe analisar fatores que não podem ser negligenciados em atender a esse quesito, como a distinção que é intensificada devida á existência de uma língua dominante e a banalização vivenciada por pessoas com padrões linguísticos distintos.
Em primeira análise, convém frisar como segregações sociais acentuam os preconceitos, diante da língua. Analisando a realidade brasileira, verifica-se que o país costuma adotar o modo de falar da elite como sendo majoritariamente correta e o padrão a ser seguido pelos brasileiros. Dessa forma, as variações linguísticas acabam sendo vistas como obsoletas ou aplicadas de maneira equivocada. Tal fato pode ser evidenciado com os preconceitos recorrentes em redes sociais que associam as variações da língua com a falta de formação escolar.
Ademais, convém discutir como as discrepâncias no modo de falar tornam a sociedade vulnerável à banalização. Segundo Nick Couldry, a desigualdade de fala condena os excluídos à inexistência, retirando vozes do espaço público. Desse modo, percebe-se que a liberdade de expressão incluída pela democracia acaba perdendo espaço na sociedade, além de as formas de reivindicação por direitos que podem ser construídos a partir dos valores trazidos pela língua se transformam em algo sem importância.
Portanto, torna-se evidente que o país possui muitos entraves para erradicar os preconceitos linguísticos. Desse modo, se faz necessário que o Ministério da Educação, com apoio de profissionais pedagogos e psicossociais, desenvolva trabalhos como palestras, cursos e até brincadeiras didáticas em âmbito escolar que fomentem o reconhecimento de variante linguísticos do Brasil durante a formação da educação. Para que assim, a vasta diversidade identidade nacional preservada pela língua seja de fato concretizada, da mesma forma que defenderam ferozmente os modernistas.