Preconceito Linguístico
Enviada em 30/10/2018
É incontrovertível que o Brasil é um gigante miscigenado e multicultural. Nesse sentindo, não obstante, mediante fatores em âmbitos históricos, socioeconômicos, morais e técnicos, a problemática do preconceito linguístico se faz presente no país - sendo um ato retrógrado, de caráter destrutivo e inercial a ser mitigado, haja vista que ele promove não apenas a exclusão social, mas também a falta de respeito com as diferentes variedades linguísticas, o qual é desencadeado pelo pouco conhecimento sobre a língua.
Antes de tudo, é necessário constatar que o entendimento sobre a linguagem é causa para o impasse. Isso porque a sociedade, por não conhecer e ignorar as variedades da língua portuguesa, impõe um padrão linguístico como correto, mesmo diante da diversidade do país. Tal cenário vai de encontro com o livro “linguística? O que é isso?”, do professor e linguista José Luiz Fiorin, que demonstra o quanto é comum a língua ser alvo de prejulgamento e rótulos infundados, mesmo sendo pouco conhecida ou completamente desconhecida pelas pessoas. Desse modo, desconstruir o pensamento de que existe um protótipo a ser seguido para falar e se expressar é um passo para atenuar esse preconceito no Brasil.
Somada a essa ideia, verifica-se que o preconceito linguístico acentua a exclusão social. O fato de existir uma variante padrão contribui na exclusão dos setores menos privilegiados da sociedade, como exemplo, as pessoas com baixo grau de escolaridade, as quais são tratadas como ignorantes por não falarem conforme a norma culta. Além disso, as escolas atuam como excludente, visto que, valorizam uma Gramática Normativa, eurocêntrica e alheia à cultura da Nação, a qual é marcada por uma rica miscigenação. Logo, a garantia à educação de maneira equitativa e transformadora é deturpada. Conforme diz Newton, um corpo tende a permanecer em seu estado até que uma força atue sobre ele. Desse modo, a aplicação de força suficiente contra o percurso do preconceito linguístico no Brasil é imprescindível e necessária. Para isso, as escolas devem, por meio de palestras ministradas por especialistas em Linguística Moderna, abordar a temática do preconceito com vistas à formação cidadã respaldada pelo saber transformador, de modo a derrubar as barreiras entre “certo” e “errado”. Ademais, a mídia, fazendo uso do seu impacto persuasivo, deve promover campanhas e propagandas com artistas de diferentes regiões, a fim de levar a discussão sobre diversidade linguística e cultural para a esfera social e mostrar os efeitos provocados pelo preconceito linguístico.