Preconceito Linguístico

Enviada em 30/10/2018

A negligência diante da diversidade linguística

Na obra literária ´´Vidas Secas´´ de Graciliano Ramos, é representado uma família que foge da secado sertão nordestino. Porém, não só enfrentam os problemas climáticos, como também  a personagem principal é constantemente rebaixada pelo seu patrão e é incapaz de protestar devido a não dominância da norma padrão da língua. No entanto, no Brasil, essa realidade ultrapassa os limites da ficção e acomete em mazelas, como a discriminação e segregação. Logo, é imprescindível o debate acerca de como mitigar esse preconceito linguístico.

O Brasil possui uma vasta extensão territorial e, em consequência da vinda dos imigrantes no século XIX, um vasto repertório sociocultural. Dessa forma, as variações linguísticas são algo natural, podendo variar de acordo com idade, ambiente em que vive, região ou até histórica e situacionalmente. Não obstante, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, numa era de globalização, o etnocentrismo deve ser visto como algo totalmente ultrapassado, logo, o preconceito linguístico existente é errôneo e equivocado.

Ademais, torna-se evidente a instauração de uma normatividade ao que se refere à forma correta de comunicar-se. A Constituição Federal de 1988 é um exemplo. Ao ser escrita em uma norma onde a maioria da população não consegue entender nem interpretar os seus próprios direitos, constitui-se como uma discriminação. Não só isso, como também a padronização exercida pela mídia nesse quesito, por meio de filmes e novelas, contribui- e muito- para a naturalização do preconceito na sociedade. Deste modo, é construído na consciência dos brasileiros que não seguir a norma padrão da língua portuguesa é sinônimo de falta de escolaridade, o que vai contra o respeito à grande diversidade cultural do país e dificulta a inserção de uma parte da população no próprio mercado de trabalho e ambiente social.

Torna-se evidente, portanto, que o preconceito linguístico é equivocado e deve ser mitigado. Dessarte, cabe ao Ministério da Educação, a partir de leis, incluir o estudo abrangente de todas as variações linguísticas no Brasil na disciplina de Português, a fim de apresentar a verdadeira miscigenação cultural do país desde cedo. Outrossim, cabe à mídia abster-se dos esteriótipos já criados, como exemplo, nordestinos sem escolaridade, e promover um conteúdo midiático que mostra as formas de comunicação em diferentes visões, com o intuito de naturalizar a variação na sociedade. Assim, o Brasil poderá caminha para um futuro com menos preconceitos, onde o real foco será no estabelecimento da comunicação.