Preconceito Linguístico
Enviada em 30/10/2018
Por ter sua utilização expressa na consciência de uma coletividade, a língua é um dos principais mecanismos que sustentam a vida em sociedade, já que é responsável por estabelecer o convívio e entendimento entre os indivíduos. Todavia, também pode vir a atuar de maneira depreciativa, sendo um instrumento que corrobora para a segregação social. No Brasil, o preconceito linguístico é muito evidente e, por isso, faz-se necessário que debatamos sobre a problemática na atualidade do país.
Em primeiro plano, vale ressaltar que segundo Albert Einstein, físico alemão, é mais fácil desintegrar um átomo, do que um preconceito. De forma análoga, suas palavras remetem, em nossos dias, ao preconceito linguístico que está diretamente relacionado ao aumento da segregação social do país, já que, a língua está interligada à estrutura e aos valores da sociedade, e os falantes da norma culta são aqueles que exigem um maior nível de escolaridade e poder aquisitivo. Infelizmente, pessoas que sofrem com a discriminação linguística tendem a desenvolver problemas de sociabilidade e até mesmo psicológicos, sendo inadmissível tal postura ser aceita por parte dos governantes.
Além disso, vale salientar que a Língua Portuguesa indica peculiaridades brasileiras no contexto etário, social, regional e histórico. A título de exemplo, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirmou que a cada 10 pessoas, 6 sofrem ou já sofreram algum tipo de discriminação pela forma na qual se expressa. Sinteticamente, é inadmissível que em corpo em pleno desenvolvimento econômico, não haja atitudes governamentais para mudar essa triste realidade.
Fica evidente, portanto, que a língua é um fator determinante na exclusão social e por isso, deve ser admitido e combatido. Primeiramente, as escolas deveriam abordar mais profundamente sobre esse tema, através de debates e aulas interativas, além de ensinar, nas aulas de Português, todas as variantes linguísticas. A mídia, por sua vez, deveria parar de estereotipar os personagens de acordo com a sua maneira de se expressar e poderia investir em campanhas, através dos meios de comunicação, que ajudem a desconstruir esse preconceito. Afinal, um falante ‘’bom’’ é um poliglota na própria língua.