Preconceito Linguístico

Enviada em 31/10/2018

Em 1922, na Semana da Arte Moderna, escritores de São Paulo apresentaram textos, de todos os gêneros, que sugeriam uma nova forma de linguagem. Contudo, essa proposta não foi bem aceita, tendo em vista os leitores mais conservadores acreditarem em uma única forma de falar e escrever corretamente. Hoje, os textos dessa era modernista ganham força ao defenderem uma diversidade cultural identificada, sobretudo, na fala. Nesse sentido, é pertinente que se faça uma avaliação da persistência do preconceito linguístico no Brasil.

Em primeiro plano, é necessário desconstruir uma cultura que foi desenvolvida na sociedade brasileira de que existe um dialeto superior. Esse fenômeno ridiculariza os dialetos das pessoas mais pobres e interioranas. Prova disso foi o nome Jeca Tatu, em alusão ao personagem criado por Monteiro Lobato, que ao longo do tempo recebeu um significado pejorativo para designar pessoas advinda do interior e que possuía uma forma diferente de se expressar.

Outrossim, a tentativa de homogeneizar a língua em âmbito nacional pode acarretar na exclusão da linguagem de um povo específico, o que gera mais preconceito. Marcos Bagno, em seu livro: Preconceito Linguístico, conclui que a variação da língua no Brasil é importante para a manutenção de nossa cultura, isto é, cada maneira de falar ou escrever, carrega em si uma história, negligenciar esse aspecto é , portanto, deixar de lado a tradição que esta língua traz em si.

Destarte, o preconceito linguístico pode diminuir na medida em que a educação na sociedade aumenta. O Ministério da Educação, por exemplo, deve enfatizar a importância da variação linguística por meio de veículos de comunicação de grande massa, como televisão e rádio, assim o povo estaria sendo educado a respeitar os indivíduos em suas particularidades, reconhecendo que as diferentes linguagens são necessárias para a dinâmica da língua, bem como o estabelecimento de uma cultura diversificada. Ademais, as pessoas que sofrem preconceito linguístico poderia organizar em rede sociais ou em locais públicos, como praças, eventos  com palestras, shows, exibição de filmes e outras atividades que valorizassem sua linguagem, desse modo, elas estariam ratificando seus dialetos como expressão de um povo multicultural.