Preconceito Linguístico
Enviada em 30/10/2018
Quebra-cabeça social
Na visão de René Descartes, considerado o Pai da Filosofia Moderna, “Não existem métodos fáceis para resolver problemas difíceis”. Embora séculos tenham se passado desde a afirmativa, questões como o preconceito linguístico ainda são consideradas grandes entraves difíceis de serem resolvidos. É latente que esse cenário se agrava devido à herança histórica e cultural do país, bem como ao desrespeito com as outras variantes da língua, requerendo assim mudanças em caráter de urgência.
Em primeira instância, é válido destacar que desde os primórdios da história brasileira houve uma discriminação em relação à fala. Os colonos portugueses chegaram no território impondo sua cultura aos índios, não levando em consideração o fato de já haver diversos hábitos e comportamentos das inúmeras tribos existentes na época, inclusive sua maneira de comunicação. Em contrapartida à estética literária europeia existiu o movimento modernista brasileiro, que buscava a retomada das raízes e a ruptura com os modelos padrões do contexto social. Dessa forma, apesar de sofrerem com as críticas às obras, os modernistas tiveram papel indubitável para reconstrução e representação de outras variedades de uma sociedade tão rica em características e espetacularmente singular.
Ainda convém destacar que a população é a principal responsável para a disseminação de intolerâncias no âmbito linguístico. Prova disso são as representações pejorativas de personagens da zona rural ou nordestinos em filmes e novelas, caracterizando esses indivíduos como desprovidos do conhecimento da norma culta portuguesa e desvalorizando seus dizeres, assim, sendo motivo de risada do público. Desse modo, ao propagar esteriótipos preconceituosos, a mídia acaba influenciando de maneira intrínseca o corpo social a julgar as palavras em correto e errado, quando, na verdade, deveriam respeitar as diferenças e particularidades da fala de cada localidade.
Fica evidente, portanto, a necessidade de medidas eficientes para combater o preconceito linguístico. A começar pelo Ministério da Educação, que deve incluir na sua matriz curricular do ensino fundamental da língua portuguesa a aprendizagem das diversas variantes da língua, com o fito de orientar as crianças acerca das diferenças e extinguir os futuros julgamentos de valor na área comunicativa. Ademais, cabe à mídia elaborar campanhas contra o preconceito linguístico e veicular em todos os canais de TV aberta, com o intuito de ampliar o conhecimento do público das consequências prejudiciais dessa atitude errônea e, assim, não criar mais casos de vítimas desse mal. Destarte, toda a nação brasileira poderia homologar com o ideal descartiano, adotando soluções burocráticas, porém eficazes, solucionando assim esse quebra-cabeça social.