Preconceito Linguístico
Enviada em 30/10/2018
É notório que a língua portuguesa é muito rica, principalmente em relação as formas a qual é expressada. O local de origem, a faixa etária, a história; são itens que influenciam na pluralidade do diálogo entre muitos grupos. Entretanto, de maneira incoerente, esta mesma riqueza, promove o preconceito ao ser manifestada. Logo, a variação linguística destaca-se como meio de segregação social.
A princípio, sabe-se que a existência das variantes da língua é explícita, contudo, muitas vezes, não são admitidas. Sem dúvidas, a norma padrão do idioma não pode ser ignorada, mas também não pode ser posta como superior. Visto que as pessoas as quais não dominam a norma gramatical não, necessariamente, tem prejuízo no seu intelecto, no aprendizado. Dessa forma, considerando-se o pensamento do gramático Evanildo Bechara, um falante deve ser poliglota em sua própria língua, assim irão utiliza-la de acordo com o contexto. Porém, frases como: “é preciso saber a gramática para falar e escrever bem”, ilustram a forma com que a gramática normativa passou a ser um instrumento de poder e controle.
Outro aspecto a ser tratado é a segregação causada pelo preconceito em relação a pluralidade do idioma. O julgamento depreciativo, a piadas, os tons pejorativos; exemplificam o comportamento de algumas pessoas diante da diversidade da língua portuguesa. De acordo com psicóloga Marisa de Abreu, o preconceito existe desde que o homem começou a deduzir e supor o que o outro poderia fazer. Pode-se dizer que a discriminação é o preconceito em prática, e, a prática da discriminação linguística é muito habitual nas escolas, principalmente, pelos próprios professores. Nesse sentido, é indubitável que qualquer manifestação fora do modelo passado por estes educadores será reprimida, gerando barreiras de comunicação social, o que demonstra a problemática.
Infere -se, portanto, que o Ministério da Educação deve priorizar a democratização da língua, por meio de uma releitura dos cursos de licenciatura, para que seja repassado para os estudantes que a variação linguística é um componente cultural e essa deve ser respeitada. Ademais, a mídia, por meio de peças teatrais, devem oferecer a quebra do estereótipo associado as variantes da língua, como o caipira, para que seja dissolvida a exclusão social. Com isso, a riqueza da língua portuguesa terá um entendimento pleno das variantes, sem visão discriminatória ou preconceituosa.