Preconceito Linguístico

Enviada em 30/10/2018

Personagens da literatura infantil do escritor Mauricio de Sousa, Cascão e Cebolinha, falantes de uma variação regional e fonológica da língua portuguesa, respectivamente, são frequentemente causas de humor nas tirinhas da “Turma da Monica”. Diante disso, saindo do mundo das historias em quadrinhos, percebe-se que a variação linguística desperta o preconceito e, não raro, a exclusão social de determinado grupo por esse não utilizar a norma culta na fala. Assim, seja por ter estabelecida uma norma gramatical, seja por desconhecimento dos efeitos do preconceito linguístico, muitos indivíduos ainda são discriminados por utilizarem um padrão diferente do gramatical na fala.

Convém ressaltar, a princípio, que o estabelecimento da norma padrão culta como correta para os falantes seja uma das causas desse impasse. Visto que a língua portuguesa, devido à grande extensão territorial brasileira, possui diversas variantes interligadas a contextos históricos, sociais, etários, além de regionais, a apresentação de um padrão gramatical como correto torna a língua um fator de exclusão social. O mestre em letras e pesquisador, Marcos Bagno, afirma que o conhecimento da gramática normativa tem sido usado como instrumento de distinção e de dominação pela população culta. Consoante a esse pensamento, seja a variação regional ou social, seus falantes são discriminados e, assim, deixados à margem da sociedade brasileira que se considerada erudita.

Ademais, a inexistência de campanhas que ressaltem os impactos do preconceito linguístico corrobora para a persistência desse impasse. Pouco comentado nas mídias e noticiários, essa discriminação não é lembrada nem ressaltada, logo, atua fortemente como agravante da exclusão social, visto que a língua está diretamente ligada à estrutura e aos valores da sociedade, relacionados, principalmente com o acesso à educação. Diante disso, as massas excluídas acabam desenvolvendo problemas de sociabilidade por se considerarem semianalfabetos. Assim, torna-se indispensável a intervenção nesse problema para garantir o bem-estar social de todos os brasileiros.

Fica evidente, portanto, que a utilização da língua como fator de exclusão social deve ser imediatamente contestada. As instituições de ensino, orientadas pelo Ministério da Educação, devem intensificar o uso da literatura, utilizando personagens como os supracitados, para combater, desde a tenra idade, com posicionamentos discriminatórios diante das variações linguísticas. Além disso, o Governo pode requerer da mídia que essa ressalte os impactos da discriminação com falantes das variações língua portuguesa, por meio de campanhas e propagandas, informando, também, que essa é uma forma de preconceito social. Assim, construir-se-á um país tolerante diante da diversidade linguística, onde o preconceito não silenciará nenhum individuo.