Preconceito Linguístico
Enviada em 30/10/2018
Thomas Hobbes, famoso contratualista do século XVII, em sua Magnum opus “Leviatã”, defende que um dos critérios a serem considerados para que um grupo de pessoas seja um povo é a linguagem que usam que deve ser una. Entretanto, centenas de anos depois, o Brasil contemporâneo enfrenta grandes desafios quanto a sua fala, que devido ao tamanho continental do país se faz impossível de ser padrão, visto que o fenômeno do preconceito linguístico ganha força a cada dia oriundo de associações etnocêntricas e discriminação injustificada.
Em primeiro plano, a imagem histórica, que ainda existe na cabeça de alguns, do cidadão humilde e que não estudou como um mal falante gera um conflito socioespacial constante. Além disso, o povo nordestino que vêm de uma região mais pobre e com altos índices de analfabetismo são as maiores vitimas desse tipo de exclusão, tendo em vista que o que leva pessoas a cometerem atos assim é a sensação de se sentirem superiores de alguma forma em relação ao outro. Portanto, é evidente que mudar essa situação vai além da simples preservação social e passa a ser uma questão humanitária.
Em segundo plano, a incapacidade de se analisar a situação de outrem aliada ao isolamento social e cultural são fatores a serem considerados nessa discursão. Nesse sentido, A. Schopenhauer, grande filósofo alemão, falou: “Todas as pessoas tomam os limites de seu próprio campo de visão, pelos limites do mundo”, seguindo o pressuposto aqueles que não se dispõem a entender e aceitar o que vem do outro são fadados a incorrerem no erro da falsa compreensão da realidade. Assim, solucionar esse conflito é também uma necessidade educacional do brasileiro.
Tomando o exposto em consideração, é mister implementar soluções que inibam a prática desse tipo de ato discriminatório e exclusivo. A priori, convém ao MEC (Ministério da Educação), adicionar a sua grade curricular matérias que ensinem de maneira plural e ampla as diferentes maneiras de linguagem desse país, por meio de exposições culturais e lúdicas voltadas à demonstração da importância de cada forma de expressão para a formação cultural nacional, a fim de promover o senso de aceitação para a próxima geração. Só assim, o mundo da nossa língua será maior e acima de tudo de todos.