Preconceito Linguístico

Enviada em 30/10/2018

Na Biologia, nos estudos sobre genética, aprende-se que um ser possui dominância sobre o outro. Não obstante, ao analisar a questão das variantes linguísticas, nota-se a classificação de superioridade de uma língua sobre a outra falada em regiões distintas, o que ocasiona o preconceito linguístico. Nesse contexto, é válido analisar como a segregação social e a estrutura educacional contribuem para o aclive da problemática em questão.

Mormente, é indubitável que a questão do preconceito linguístico teve origem desde os primórdios do processo colonizador. Isso porque após a chegada dos portugueses, os indígenas além de perderem sua cultura e sua religião, também perderam os seus falares, por causa do sistema de catequização que esses povos foram submetidos por meio dos jesuítas, quando eles instauraram a chamada ‘’língua geral’ ‘que marginalizou o modo de comunicação entre esses aborígenes. Além disso, o extermínio de alguns desses indivíduos ocasionou no desaparecimento de centenas de línguas originais. Por consequência dessa visão eurocêntrica, atualmente, o Brasil ainda possui essa visão estereotipada sobre a universalização de uma só língua considerada como correta, o que acarreta na exclusão social de determinadas pessoas.

Ademais, a falha educacional perante o estudo da língua nas escolas ocasiona esse processo preconceituoso. Tal mazela decorre do fato das escolas debaterem apenas a norma-padrão da Língua Portuguesa, desse modo os alunos criam essa visão de que o correto modo de falar só funciona caso esteja de acordo com as regras gramaticas, o que acaba por fazer com que esse mesmo aluno descriminalize outro colega de classe devido sua forma de conversar ou também formar um cidadão intolerante e ridicularizado. Prova disso, é o caso da frase escrita por um médico em São Paulo, no ano de 2016, com os seguintes dizeres: ‘‘Não existe pleumonia.’’ , tal situação foi alvo de chacota por parte do rapaz que publicou nas redes sociais o ocorrido. Por conseguinte, as vítimas desse tipo de atitude possuem chances de desenvolverem doenças mentais ou terem dificuldades de se incluírem na sociedade.

Torna-se evidente, portanto, a importância de desmitificar essa relação de dominância. Cabe ao Ministério da Educação (MEC) introduzir nas escolas o debate sobre a participação efetiva e o respeito para com as variantes, com o apoio de pedagogos e especialistas no assunto para a formação de cidadãos responsáveis. Ademais, o poder Legislativo deve criar uma lei que criminalize esse ato para que o poder Judiciário seja capaz de condenar os infratores e assim a sociedade seja capaz de repensar nas próprias atitudes. Destarte, casos como o do médico de São Paulo, serão evitados.