Preconceito Linguístico
Enviada em 31/10/2018
Como Fabiano exemplifica a antropologia social
Conforme a antropologia explicita em seus ensaios, a linguagem de um povo é a materialização de sua perspectiva exclusiva de ver e vivenciar o mundo. Além disso, a língua de uma sociedade é a delimitação dos limites da realidade compreendida por este mesmo conjunto de pessoas. Nesse espectro, é incabível que em pleno século XXI a permanência de preconceitos linguísticos se faça presente, pois tais hostilidades ocasionam intolerância para com a pluralidade e exclusão social.
É inegável o fato que compreender a língua portuguesa como uma única estrutura gera discriminação por parte daqueles que detém tal visão. Devido as inúmeras vertentes que uma mesma linguagem pode assumir, conforme as distintas perspectivas sociais dos falantes desta, a língua não é uma obra impassível de variações; pelo contrário, um idioma é algo absolutamente moldável. À vista disso, aqueles que ignoram, por alguma razão, a habilidade metamórfica da língua destilam intolerância para com as distintas variações linguísticas e, por conseguinte, estruturam uma rede de preconceitos imorais dentro da sociedade brasileira - cenário intolerável tendo em conta as inúmeras expressões culturais que o país abrange dentro de seu território de proporções continentais.
Mormente relacionada aos aspectos sociais, a intolerância gerada pela valorização de apenas uma versão linguística do português acarreta à exclusão social dos falantes das outras vertentes. Ao se levar em consideração que a maioria dos preconceituosos são os mais escolarizados, as pessoas que sofrem com o isolamento social são os mais pobres. Ou seja, no Brasil, as populações mais miseráveis acabam por serem as mais atingidas por discriminações de cunho linguístico e, ao se somar as perspectivas de vida, a maioria delas reside nas regiões periféricas do país. Por sua vez, este dramático quadro enfrentado pelos brasileiros intensifica a permanência de pessoas na faixa da extrema pobreza, porque impossibilita milhares de cidadãos de se expressarem livremente e, assim como Fabiano (“Vidas Secas” - Graciliano Ramos ), de exigirem justiça perante abusos e preconceitos.
Portanto, cabe aos Ministérios da Cultura e Educação lançarem campanhas de conscientização interativas, por meio de jogos e experiências mais lúdicas em plataformas digitais (“websites” e aplicativos), que mostrem para os brasileiros que existem diversas formas da língua portuguesa, as quais devem ser respeitadas. Ambos os ministérios devem atuar em conjunto do Museu da Língua Portuguesa, estabelecido em São Paulo, para se inspirarem em suas campanhas interativas, pois as atividades do museu já realizam experimentos do mesmo tipo há anos e muito agregam para a população. Desse modo, se estabelecerá no Brasil uma sociedade mais tolerante, justa e igualitária.