Preconceito Linguístico
Enviada em 30/10/2018
“O importante é cada brasileiro ser poliglota na própria língua”, essa assertiva, do linguista Evanildo Bechara, tem por finalidade destrinchar e valorizar as ramificações acerca da língua nacional. No Brasil, entretanto, essa frase não ultrapassa a linha de uma sociedade idealizada , dado que muitos sofrem detração por não dominarem efetivamente a gramática normativa do país. Por isso, cabe discutir os fatores que tornam o capitalismo Ocidental e o modelo pedagógico vigente como empecilhos do combate ao preconceito linguístico.
A priori, vale ressaltar que o capitalismo trouxe consigo as raízes preconceituosas sobre as variantes da língua. Isso é explícito no cotidiano , pois grupos de alto poder aquisitivo, ou seja, o topo da hierarquia social, promovem discursos e julgamentos depreciativos acerca da parcela populacional que não articula de maneira eficaz a norma culta brasileira, com predominância de interioranos, pobres e indivíduos de baixo grau instrutivo. Essa lógica, portanto, confirma a ideia de preconceito da língua como uma faceta do preconceito social e , também, possui fundamento do linguista nacional Marcos Bagno, o qual afirma que “O uso da gramática normativa é instrumento de distinção e dominação pela população culta”. Por conseguinte, muitos indivíduos se sentem pressionados e sofrem com a aculturação influenciada por pessoas que residem na mesma pátria.
Outrossim, o modelo pedagógico vigente corrobora para a perpetuação da problemática. Gilberto Freyre desdobra a ideia de que “Sem um fim social, o saber se torna uma das maiores futilidades”, essa informação está correlacionada com o modelo escolar que perdura desde 1950, visto que foi moldado na industrialização e , por isso, não permite a reflexão e debate sobre questões sociais como o preconceito linguístico. Ademais, o papel escolar não modificou seus ideias, pois vislumbram apenas a preparação para provas e concursos que exigem a norma culta como correta e penalizam as variantes. Por isso, o combate à problemática se torna complexo, visto que os alunos não possuem incentivo e , tampouco, a permissão para o uso da multifacetada língua do território.
Urge, portanto, a necessidade de transfigurar a asserção de Bechara para um contexto real. Para isso, profissionais da língua portuguesa e sociólogos, em consonância com a mídia, devem articular campanhas - via rádio, televisão e jornal - estruturadas por linguistas e cartunistas, com o intuito de difundir textos e quadrinhos referenciais a fim de apresentar as variantes linguísticas e , assim, proporcionar conhecimento e diminuir a aversão. Além disso, o Ministério da Educação, deve promover uma mudança curricular no ensino fundamental e médio com a implementação da matéria de ética e cidadania com o fito de incentivar debates e reflexões sobre causas sociais e políticas.