Preconceito Linguístico

Enviada em 30/10/2018

Na Semana de Arte Moderna, em 1922, os modernistas propuseram o distanciamento da norma culta, não só privilegiando o verso branco e livre, como também o regionalismo, a partir da explanação do dialeto popular, mostrando o vasto leque da Língua Portuguesa. Contudo, após quase um século, apesar da tentativa modernista, a gramática normativa ainda se distancia fortemente da língua falada e, com isso, o Brasil padece do preconceito linguístico, enraizado na sociedade, que precisa ser combatido, pois fere o respeito à diversidade de dialetos existentes no país e interfere nas relações pessoais.

Inicialmente, é importante ressaltar  que a discriminação frente a diferentes dialetos é uma herança do Período Colonial. Os portugueses, ao adentrarem  a região, impuseram seus costumes e sua língua, obrigando os nativos que aqui residiam a deixarem para trás o modo como se expressavam. De forma análoga, atualmente há a exclusão dos habitantes que não se adequam à padronização da língua por aqueles que são mais favorecidos econômica e socialmente. Nesse sentido, segundo o escritor e linguista Marcos Bagno, a língua torna-se um mecanismo de controle social que privilegia as classes dominantes.

Por conseguinte, a obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, retrata a vida de uma família pobre que vive no sertão nordestino. Na trama, muitas vezes o personagem Fabiano, provedor de sua família, se deixa enganar pelo patrão por não se julgar apto a contestá-lo, uma vez que não domina a língua padrão. Da mesma forma que Fabiano, diariamente, muitos brasileiros sofrem assédio linguístico, pois sua forma de falar não está em conformidade com a norma culta, o que cria nesses indivíduos um complexo de inferioridade.

É necessário, portanto, que o Ministério da Educação e o Ministério da Cultura atuem promovendo a realização de Saraus, nas escolas públicas, que apresentem a diversidade de dialetos presente em nosso país e, também, na elaboração dos materiais didáticos para que esses tragam maior enfoque à questão  a fim de que a escola não seja perpetuadora desse discurso exclusivo d