Preconceito Linguístico
Enviada em 29/10/2018
A língua é um dos principais instrumentos que sustentam a vida em sociedade, já que é responsável pela comunicação e integração entre os indivíduos. No entanto, ela também pode atuar de maneira negativa, sendo uma ferramenta de segregação social. No Brasil, o preconceito linguístico é evidente e prejudicial à valorização da diversidade cultural brasileira, tendo origens em questões históricas e sendo ratificada pela própria sociedade. Com efeito não é razoável que um Estado Democrático de Direito permita que a discriminação prevaleça na sociedade.
Primeiramente, cabe ressaltar o impacto da colonização no país para o estabelecimento desse preconceito. Durante o século XVI, com a chegada de diversos povos ao Brasil, tais como europeus e africanos, formou-se de acordo com o escritor Gilberto Freyre, uma sociedade de três pilares, o colonizador, o nativo e o escravo. Devido as diferenças, o choque de cultural era inevitável, e apesar de todas as etnias terem sua parcela de participação da construção da nação, o eurocentrismo predominou. Nesse sentido, ficou determinado que a língua principal seria a do colonizador, corroborando com a desvalorização das outras. Dessa maneira, percebe-se que o preconceito linguístico na nação é resultado do legado histórico.
Ademais, a questão social contemporânea contribui para a permanência desse preconceito no país. Nesse viés, no livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, exponente da Segunda Geração Modernista, as variações diastráticas (diferenças entre grupos sociais) e as variações diatópicas (diferenças entre regiões distintas) das personagens são retratados como fruto da pobreza e falta de instrução. No contexto, atualmente, muitos indivíduos associam as variantes linguísticas ao baixo nível de escolaridade, acentuando ainda mais a segregação. Exemplo disso, é a discriminação direcionada a brasileiros oriundos principalmente do nordeste e norte do país, tendo em vista suas condições sociais e históricas de formação.
Compreende-se, portanto, que a língua é um fator decisivo na exclusão social, e por isso, o preconceito linguístico deve ser combatido. É dever do Ministério da Educação acrescentar a grade curricular de linguagens uma matéria destinada ao estudo das variantes linguísticas, essa medida tem como objetivo fomentar a valorização da cultura plural brasileira. Além disso, o esteriótipo social precisa ser eliminado. Isso deve acontecer com campanhas do governo vinculadas as mídias a fim de conscientizar a população de que o preconceito não se encaixa no Estado Democrático de Direito. Essas campanhas também devem incentivar as denúncias caso as vítimas se sintam intimidadas ou hostilizadas devido a sua forma de falar.