Preconceito Linguístico
Enviada em 29/10/2018
“Não existe peleumonia e nem raiôxis” foi a frase presente em uma postagem pelo médico Guilherme Capel em uma rede social. Essa frase inteiramente discriminadora remete uma forma de preconceito: o linguístico. Preconceito que é gerado pela forma errônea de parte da sociedade pensar que somente é digno do respeito e aceitação quem usa da gramática normativa. Nessa perspectiva, as pessoas que fazem uso de dialetos, regionalismos, gírias e sotaques são criticadas e excluídas socialmente.
Desde 1922, durante a Semana de arte moderna, há uma busca do uso da linguagem coloquial e das variações linguísticas pelos escritores, realizando uma crítica de cunho social sobre esse preconceito linguístico. Passados 96 anos, o preconceito ainda está presenta na sociedade, sendo alvo de livros como “Preconceito linguístico” de Marcos Bagno, que discorda de um jeito certo ou errado de falar ou escrever. Também, ressalta que a gramática normativa é usada como um importante instrumento de distinção e discriminação pela população culta, que muitas vezes são praticadas pelos próprios professores, gramáticos e estudiosos da língua portuguesa.
Além disso, o livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, relatava a superioridade do patrão em relação ao empregado, que afirmava que este não poderia protestar devido à sua condição de não adepto à norma culta. Essas práticas de preconceito refletem a falta de empatia, estudada e citada pelo sociólogo Zygmunt Bauman, nomeada como modernidade líquida.
Sendo assim, observam-se a necessidade de mudança nas relações interpessoais na conduta escolar e na forma como essa discriminação deveria ser tratada. As escolas, em seu papel de educadoras e construtoras de indivíduos, deveriam em parceria com o Ministério da educação promover projetos que discutem a importância da variabilidade linguística e o respeito com as pessoas que usam desta. Além disso, ressaltar que o uso da norma culta não resulta em superioridade diante dos demais. Assim, a sociedade passaria a entender que a discriminação é preconceito e que não deve ser praticada, diminuindo o número de casos de preconceitos linguísticos.