Preconceito Linguístico
Enviada em 29/10/2018
Conforme Aristóteles: “o homem é um animal político por natureza”. Tal análise, afirmada pelo pensador grego de outrora, evidencia que os seres humano têm, de maneira inata, a necessidade de se comunicarem-se uns com os outros, tendo em vista que estes precisam viver em coletividade. Entretanto, mesmo com a hegemonia do diálogo que somente a espécie humana dispõe nas suas relações sociais - sendo elas verbais ou não verbais- é observado a existência do preconceito linguístico circunscrito no campo social. Dessa maneira, convém analisarmos as principais consequências que tamanha problemática desencadeia na sociedade contemporânea.
Em primeiro plano, é primordial ressaltar a importância da comunicação para as relações sociais dos indivíduos em consonância a distinções presentes nas falas associadas aos costumes dos mesmos, uma vez que estas peculiaridades, corriqueiramente, transformam-se em motivos para a prática do bulliyng, da exclusão social e do preconceito por parte daqueles que possuem sentimentos etnocêntricos. Prova disso se nota mediante as chacotas promovidas via redes sociais e afins, como por exemplo, o post do médico Guilherme Capel que debochou de seu paciente humilde ao afirmar: “não existe peleumonia e nem raôxis”. Nesse sentido, fica evidente a urgência que a sociedade deve ter no tocante a resolução da questão.
Além disso, segundo o filósofo alemão A. Schopenhauer: “os limites do campo de visão de uma pessoa determinam o seu entendimento a respeito do mundo que a cerca”. Concomitantemente ao raciocínio do pensador do século XIX, se entende que o conhecimento dos indivíduos está diretamente relacionado à suas próprias percepções empíricas, haja vista o seu comportamento, frequentemente, hostil quando associado ao diferente. Nesse sentido, medidas devem ser adotadas para sanar tal problema.
Diante do exposto, percebe-se que o preconceito linguístico revela manifestações diversas de preconceito e exclusão sociocultural. Portanto, cabem às instituições educativas promover o ensino plural no tocante a comunicação e a valorização das diversas formas da linguística, por meio de debates sobre as variantes e a suas situações de uso, bem como de sua contribuição para a formação da sociedade. Assim, o ser humano, além de politizado, como já disse Aristóteles, será mais rico culturalmente e menos preconceituoso.