Preconceito Linguístico

Enviada em 29/10/2018

De acordo com o Existencialismo, doutrina filosófica surgida na França, no século XX, a liberdade de escolha é refletida nas condições de existência do ser. Portanto, cabe ao homem ser responsável por suas ações. Porém, no Brasil, isso não passa de uma teoria, visto que o preconceito linguístico ainda se faz presente, uma vez que restringe e desqualifica a vida de muitos – o que explicita a falta de Políticas Públicas voltadas para a formação plena do cidadão.

É inquestionável que as autoridades governamentais brasileiras já adotam medidas que primam pela efetivação de uma sociedade justa e coesa. Pode-se mencionar, como por exemplo, sua própria Constituição Federal, cujo objetivo é – dentre outros direitos – promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Isso, de certa forma, demonstra que o Estado já intenta vetar o preconceito linguístico no país.

Contudo, medida pontual como essa ainda é insuficiente para a construção de um contexto social favorável ao desenvolvimento da nação no que tange à discriminação linguística, pois, devido à falta de ética, o homem da elite, detentor de um alto grau de escolaridade, sente-se livre para criticar os “erros” cometidos por analfabetos, semianalfabetos, pobres e excluídos por sua variante regional – o que esclarece o uso do conhecimento da gramática  como instrumento de exclusão e marginalização pela população culta. A partir dessa realidade, fica evidente, sobretudo, o preconceito na língua que faz com que os indivíduos se sintam humilhados ou intimidados com a possibilidade de cometer erros de português, o que causa, consequentemente, além da segregação social, a censura da liberdade de falar. Isso está relacionado ao baixo nível educacional oferecido à maior parcela da sociedade, ainda incapaz de agir e desenvolver-se eticamente em situações cotidianas. A verdade é que o preconceito linguístico não será atenuado, enquanto o Estado não pautar a educação na formação de um cidadão verdadeiramente responsável.Afinal: “O homem é condenado a ser livre, porque depois de atirado neste mundo torna-se responsável por tudo que faz”, diz o filósofo francês Jean-Paul Sartre.

Depreende-se, pois, que há uma necessidade de maiores investimentos na Educação Básica. Portanto, é plausível que haja, por parte do Estado, através do Ministério da Educação, não apenas uma ampliação do currículo escolar a fim de contemplar aulas de Variação Linguística, desde o Ensino Fundamental, com o intuito de compreender  a linguagem popular como uma inadequação e não um erro, com como também, em parcerias com as escolas, realize palestras e campanhas comunitárias, com a finalidade de fazer com que os indivíduos tenham uma visão crítica e desprovida de preconceitos sobre as variantes da Língua Portuguesa. Dessa forma, ter-se-á uma nação existencialista.