Preconceito Linguístico

Enviada em 29/10/2018

O parnasianismo, movimento literário do século XIX, tinha como princípio fundamental o uso da linguagem rebuscada e erudita como forma de expressar a “arte pela arte”. Porém, o mesmo era voltado apenas para pessoas de classe e renda altas, não atingindo os mais baixos níveis sociais ou regiões. Com isso, nota-se que acontece o mesmo no Brasil atual -um país de vasto território e cultura que ainda não conseguiu se livrar dos preconceitos de uma sociedade elitista e etnocêntrica. Com efeito, evidencia-se que o impasse deve ser sanado.

Em primeiro plano, vale salientar que certas regiões brasileiras se julgam mais desenvolvidas que outras e acreditam que seu modo de falar é mais correto, pois está mais próximo da linguagem padrão. Tal fato é exemplificado pela perseguição e piadas que os nordestinos sofrem tanto nas redes sociais, quanto nas ruas. Consoante a isso, Pierre Bourdieu desenvolveu uma teoria chamada de violência simbólica, na qual diz que o indivíduo se posiciona no meio segundo critérios do discurso dominante e com isso, acaba agredindo um grupo ou cultura por sua maneira de se comportar perante ele, sem necessariamente usar de violência física.

Complementarmente, em segunda análise, a banalização desses assuntos no Brasil faz com que seja cada vez mais corriqueiro o preconceito contra regionalismos, sotaques e até gírias locais. Segundo Immanuel kant, “é no problema da educação que se assenta o grande segredo do aperfeiçoamento na humanidade”. Seguindo esse raciocínio, o Ministério da Educação - que já tem como um de seus eixos transversais a ser tratado nas escolas a pluralidade cultural - deve ser mais eficiente em garantir que a mesma seja discutida no ambiente escolar.

Destarte, urge a resolução da problemática. Primeiramente, as redes sociais devem implementar políticas antipreconceito linguístico e banir usuários que o façam. Além disso, a polícia deve ser mais eficaz em aplicar penas a quem for pego no ato. Ademais, o MEC -seguindo a ideia de Epicteto de que “só a educação liberta”- deve implementar na grade curricular das escolas a disciplina diversidade cultural, para que assim se aprenda desde cedo que o modo de falar de um povo não o define. Com tais medidas, o Brasil deixará, pelo menos nesse âmbito, de ser preconceituoso.