Preconceito Linguístico

Enviada em 29/10/2018

Na mitologia Grega Prometeu foi condenado por Zeus a ser torturado eternamente. todos os dias, uma águia pousava no cume do monte Cáucaso; onde dilacerava seu figado, que em pouco tempo regenerava-se para o tormento no dia posterior. Hodiernamente, esse mito assemelha-se ao cotidiano de milhões de brasileiros, que são vitimas de um discurso depreciativo e segregacional, gerado pela crença de que toda fala deve obedecer aos requisitos da variante padrão. Nesse contexto, não há duvidas que o preconceito linguístico é um desafio no pais; o qual ocorre principalmente devido a imposição da norma culta, em paralelo a ’’ síndrome’’ do individualismo social.

De acordo com filólogo Marcos Bagno; na obra ’’ preconceito linguístico’’: o que é, como se faz, não existe forma ’’ certa’’ ou ‘’errada’’ dos usos da língua. O que há são variedades do português. Ou seja, a diferença na fala de um nordestino para um sulista, é resultado da adequação do idioma às diferenças culturais da nação. Além disso, nota-se que o conhecimento da gramatica normativa, é utilizado como instrumento de distinção e dominação pela população culta, o que intensifica o processo de exclusão e preconceito na sociedade brasileira.

Outro ponto relevante, nessa temática, é o conceito de modernidade liquida de Zygmunt Bauman, que explica a queda das atitudes éticas pela fluidez dos valores. Afim de atender os interesses pessoais, aumentando o individualismo. desse modo, o sujeito, ao estar imerso nesse panorama liquido, acaba por perpetuar a intolerância linguística no país, por causa da redução do olhar sobre o bem-estar dos menos favorecidas. Em vista disso, os desafios estão presentes na estruturação desigual e opressora da coletividade, bem como em seu viés individualista, diminuindo as oportunidades dessa minoria.

Portanto, é evidente que há entraves no que diz respeito ao preconceito linguístico. Dessa maneira, é preciso que o estado promova, em parceria com o ministério da educação e das comunicações, a semana da ’’ pluralidade da fala’’; desenvolvendo palestras de professores especializados, em orgãos públicos, como escolas, postos de saúde, fóruns, centros de atenção psico-sociais dentre outros. Afim de desestruturar a cultura da intolerância, e possibilitar uma maior integração social entre os indivíduos, correlacionando-os segundo a constituição, a qual afirma que todos somos iguais perante o estado de direito. Desta forma o poder público atuará como um Hércules, libertando os Prometeus Brasileiros das amarras do preconceito no país.