Preconceito Linguístico

Enviada em 29/10/2018

O personagem Cebolinha — da Turma da Mônica, de Maurício de Souza — tem dislalia infantil, que caracteriza-se pela dificuldade de articulação de palavras. Em várias cenas do desenho, o mesmo acaba sendo motivo de piada pela forma que fala. Fora das telas, essa é uma realidade no brasil, em que muitas pessoas estão sendo alvo do preconceito linguístico. A influência do meios de comunicações e a forte imposição de outras línguas no Brasil evidenciam à problemática.

A princípio, é válido ressaltar o fato acontecido em 2016, quando o médico Guilherme Capel publicou em suas redes sociais uma receita com a frase: Não existe peleumonia e nem raôxis. Com isso, a influência ao preconceito linguístico se dissemina ainda mais, uma vez que a rede social é um dos principais veículos de informação e acrescentando o fato de outras pessoas também terem “tirado sarro” através dos comentários. Além disso, os meios televisivos também acabam influenciando o preconceito. Como exemplo, tem-se o próprio personagem cebolinha.

Outrossim, com a colonização dos portugueses entre os séculos XVI e XIX, houve uma enorme imposição da língua portuguesa no Brasil. Porém não houve uma adaptação total da mesma, considerando que quando os portugueses chegaram ao Brasil, haviam muitas tribos de índios que falavam inúmeros idiomas diferentes. Um exemplo, é que se tem o português de Portugal e o português do Brasil, onde algumas palavras se distinguem, como a palavra suco, que em Portugal é sumo. Ademas, palavras que não estejam de acordo com a norma são consideradas “erradas”.

Em suma, para que as histórias — de preconceito — de personagens não saiam mais da ficção para a realidade, é necessário que o Ministério da Comunicação invista em propagandas que enfatizem o que é de fato a variação linguística e como funciona, através da rádio e televisão por meio de desenhos, propagandas e debates visando também a erradicação do conceito de certo e errado dentro das variações.