Preconceito Linguístico

Enviada em 28/10/2018

Conforme defende o linguista Marcos Bagno em seu livro o “Preconceito Linguístico” , inexiste forma certa ou errada de falar. Além disso, segundo ele, a língua é dotada de complexidade, não se restringindo à erudição. No Brasil, contudo, uma significativa parcela da população ainda possui preconceito com quem não segue a norma dita como culta. Tal problema está relacionado, sobretudo, ao papel das intuições educacionais e à questão social.

É fundamental enfatizar, inicialmente, o ambiente escolar como propagador do preconceito linguístico. Isso ocorre porque ao aluno, é imposto a norma padrão, não se admitindo as variações linguísticas que os estudantes usam. Diante disso, a língua passa a ser dividida entre certo e errado, e eles passam a ser censurados pelo professor. Destarte, a escola negligencia a ideia da filósofa brasileira Viviane Mosé, de produzir uma educação viva e contemporânea, pois, segundo ela, são as variedades linguísticas que tornam a língua viva.

Atrelado ao ambiente escolar, a questão social também causa o preconceito linguístico. Dessa maneira, conforme o sociólogo Erving Goffman, o estigma social consiste em marcas negativas atribuídas a certos grupos sociais, que os impedem de ser aceitos socialmente. Isso ocorre, de maneira análoga, com as pessoas que não fazem o uso da norma padrão da língua, e, por isso, são estigmatizadas. Como prova disso, tem-se o caso do médico Guilherme Capel, que debochou de seu paciente nas redes sociais por ele não saber falar corretamente a palavra pneumonia. Ademais, é válido ressaltar o caso do ex-presidente Lula, que, durante campanhas presidenciáveis, já foi taxado, por seus opositores, como um indivíduo que “não sabia falar, tampouco governar um país”. Diante disso, fica evidente que o preconceito linguístico não está vedado a ninguém, pois é tratado como algo natural pela sociedade.

Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que o Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos (MDH), promova mudanças nas diretrizes da grade de ensino, por meio da reformulação de planos educacionais e a capacitação de professores em cursos e palestras sobre o preconceito linguístico. Nesse sentido, o intuito de tal medida é respeitar as diversidades linguísticas dos alunos e as diferenças. Urge, também, que o Ministério da Justiça (MP) ponha em prática o artigo 3 da Constituição Cidadã de 1988, que pune qualquer tipo de discriminação, e intensifique ações a quem praticar o preconceito linguístico.