Preconceito Linguístico

Enviada em 28/10/2018

Uma renovada flor do Lácio

Assim como descreveu Olavo Bilac, notório poeta parnasiano, a língua portuguesa é a última flor do Lácio, isto é, oriunda de uma das vertentes populares do latim. Desde o século XIX, de maneira análoga, nota-se que o português permanece em constante mudança, seguindo o comportamento orgânico da linguagem. Nesse sentido, considerando-se que a alteração do idioma é natural e intrínseca à sociedade, o preconceito linguístico atua como fator segregacional e deve ser combatido.

Em primeiro lugar, dado que as divergências idiomáticas são advindas de fatores espaciais, sociais e geoeconômicos, refletem diversas características sobre os falantes. Desse modo, infere-se que o preconceito linguístico está inexoravelmente atrelado a outros, e que a tentativa de homogeneizar a linguagem atua no sentido da exclusão social, assim como postulado na Declaração Universal dos Direitos Linguísticos, de 1996.

Ademais, deve-se destacar que, embora exista um padrão de adequação formal para situações específicas, do ponto de vista da linguística, a função social da linguagem é a comunicação, isto é, o fluxo informacional entre as pessoas. Nesse sentido, durante a primeira fase do modernismo brasileiro, autores como Oswald de Andrade realizaram a inserção da cultura popular nas artes, acompanhada da renovação da linguagem.

Tendo em vista a superação do preconceito linguístico no Brasil, em suma, deveria haver um órgão oficial para regulamentação de práticas desse tratamento pejorativo. Portanto, o Senado e a câmara dos deputados deveriam criar uma Secretaria Especial para o Combate ao Preconceito Linguístico, que implementasse medidas para redução dessas atitudes, por meio da cobrança de multas. Além disso, a mídia deveria focar em ações que ampliassem a noção da diversidade cultural e linguística do brasileiro, trazendo personagens que utilizem variantes da linguagem em novelas, por exemplo.