Preconceito Linguístico

Enviada em 28/10/2018

O preconceito linguístico é um conceito que traduz uma completa ignorância e não há lógica para ser usado no cenário brasileiro, uma vez que o país foi formado pela mistura de diferentes povos e raças, com suas próprias línguas. Assim, em um território imenso, onde não há um sotaque predominante e cada pequena região se diferencia entre si no modo de falar, o preconceito não tem sentido e quando praticado pode, de forma injusta, gerar a exclusão social e atrapalhar o desenvolvimento intelectual da vitima.

A princípio, é necessário analisar a forma com que o preconceito linguístico causa a exclusão social e a dificuldade de comunicação no indivíduo. Quando a pessoa fala de um jeito que é considerado estranho ou engraçado pelo grupo no qual está inserida, ela tem que lidar, muitas vezes, com piadas de mal gosto ou demonstrações de aversão a sua linguagem por esse grupo. Com isso, a vergonha de comunicar-se vai aumentando e o indivíduo é intimidado pelo preconceito. Segundo o filósofo Johann Gottlieb, “a língua de um povo é a sua alma”. Assim, quando o sujeito sofre com o preconceito, sua personalidade é sufocada e a sua liberdade de expressão, ferida, o que leva-o a se excluir e evitar a comunicação.

Além do problema de exclusão social, o preconceito linguístico também gera a falha na comunicação e pode comprometer o desenvolvimento intelectual da vítima. O escritor Marcos Bagno, em sua obra “Preconceitos Linguísticos” diz que o preconceito na língua faz com que os indivíduos se sintam humilhados e intimidados com a possibilidade de cometer um erro de português. Com isso, eles evitam de se comunicar e, assim, cria-se um obstáculo para seu desenvolvimento, já que a vergonha impede-os de tirar dúvidas quando preciso e estabelecer diálogos que poderiam ser construtivos para a formação de sua personalidade e senso crítico.

Portanto,  medidas fazem-se necessárias para solucionar os problemas relacionados ao preconceito linguístico. Em primeiro lugar, as escolas devem promover campanhas junto com a mídia, através de palestras e propagandas na televisão, para valorização da variedade lingúistica, a fim de combater o preconceito. Além disso, Organizações Não Governamentais (ONGs) em união com as escolas devem disponibilizar serviços de psicólogos de graça, para auxiliar pessoas que têm dificuldades em se comunicar por causa do preconceito linguístico, com objetivo de diminuir os impactos desse preconceito. Desse modo, o preconceito poderá ser combatido e não fará mais vítimas de forma injusta.