Preconceito Linguístico
Enviada em 29/10/2018
Para civilizações como a Roma Antiga povos falantes de diferentes dialetos eram considerados e tratados como inferiores e, por isso, chamados de bárbaros. Esse costume revela o estranhamento com outras culturas e modos de comunicação que, de certa maneira, perdura até os dias atuais na mediada em que o preconceito linguístico impacta a sociedade de tal modo que problemáticas referentes à intolerância e a exclusão fazem-se presentes. Em um primeiro momento, convém analisar a variante padrão da Gramática Portuguesa e sua aplicação em contextos formais como a escrita de artigos científicos e teses, porém sendo somente uma das variações existentes na Língua. Nesse sentido, alterações da fala e escrita ocorrem constantemente por questões etárias, econômicas, temporais ou de escolarização. Não aceitar a coloquialidade na comunicação é aplicar juízo de valor, caracterizado por intolerância e preconceito. Exemplo dessa situação está na atitude errônea do médico Guilherme Capel que, de acordo com a Folha de São Paulo, ironizou em suas redes sociais a maneira “incorreta” de seu paciente escrever. Ademais, é valido considerar uma característica marcante do preconceito linguístico: a não aceitação de regionalismos e sotaques. Segundo o linguista Marcos Bagno, a diferença no idioma é utilizada como instrumento de dominação. Seguindo essa sentença, comparar palavras sinônimas para hierarquizar diferentes estados ou regiões do país causa o fenômeno de exclusão social por intermédio da linguagem, estigmando ou ridicularizando características não semelhantes. Portanto, a fim de minimizar os impactos do preconceito linguístico em sociedade cabe ao Ministério das Comunicações promover campanhas diferenciando as variantes linguísticas de forma a abarcar a diversidade e fluidez da Língua brasileira. Além disso, as escolas, em parceria com o Ministério da Educação, devem, desde o currículo básico, abordar questões relativas às diferentes formas da linguagem, admitindo todas como adequação social e não erro gramatical para que, assim, haja a desmistificação da intolerância.