Preconceito Linguístico
Enviada em 29/10/2018
Em Dissonância com os os movimentos literários anteriores, a primeira fase do Modernismo brasileiro, incorporou em suas obras novos dialetos e valorização da língua popular. Desse modo, apesar de tal ação ser um marco na valorização da linguagem das ruas do país, hodiernamente percebe-se que o preconceito linguístico é uma problemática vigente. Nesse sentido, avaliar causas que perpetuam esse estigma no meio social e buscar alternativas para saná-lo, são imprescindíveis.
Em primeira análise, cabe ressaltar o pensamento do renomado geógrafo Milton Santos, que denomina o Estado brasileiro em quatro “brasis”, ressaltando a heterogeinidade da nação. De maneira análoga, é notório que as múltiplas manifestações culturais nas diversas regiões de um país de vasta extensão territorial, influenciam demasiadamente no léxico e na fala de seus estados. Um exemplo disso é uso recorrente do pronome " tu" na federação do Paraná em quanto em outras áreas do país utiliza-se mais o “você”. Contudo, ainda que esse quadro seja comum dentro de uma linguagem passível de modificações, muitas pessoas são alvos de discriminação por expressarem-se dentro de suas particularidades. Não raro os Nordestinos são alvos frequentes de tal, impulsionada pela uma ótica social e regional depreciativa desse povo, logo, medidas são urgentes para sanar a intolerância linguística que ameaça a diversidade da língua do país.
Ademais, convém frisar que a falta de uma educação universalizada fomenta o preconceito linguístico na pátria. Segundo o filósofo Immanuel Kant, " o homem é tudo aquilo que a educação faz dele", nesse viés, quando absorto do processo que ensina a norma padrão da língua, o indivíduo não é praticante de tal, sendo cooptado pela linguagem popular. Nessa conjuntura, essas pessoas são vítimas recorrentes de rejeições linguística, por indivíduos que dominam tal norma, um exemplo dessa realidade deplorável foi caso do médico Guilherme Pasqua, que prestava atendimento em um hospital de uma cidade do interior de São Paulo, ele debocho de um paciente por ter escrito " peleumonia" e “raioxis” quando o correto é pneumonia e raio-x respectivamente. Dessa forma, é evidente a ausência de uma educação proeminente na nação estigmatiza essa problemática.
Fica claro, portanto, que o preconceito linguístico é um desafio que precisa ser cessado do Brasil. Dessa maneira, o Ministério da Cultura em parceria com a mídia pode criar propagandas valorizando a diversidade linguística como enriquecedora do português nacional, a fim de exterminar esse preconceito. Outrossim, o Ministério da Justiça pode criar uma lei que puna, por meio de prisão ou multas indivíduos que pratiquem intimidação linguística por motivação social, econômica e regional. Assim, a liberdade de expressão pode ser assegurada em uma pátria democrática.