Preconceito Linguístico
Enviada em 30/10/2018
Segundo o escritor e linguista brasileiro Marcos Bagno, a língua pode ser uma fator de exclusão social e domínio da classe privilegiada sobre a de menor prestígio. Sendo assim, pode-se afirmar que no Brasil não há a valorização da pluralidade da linguagem. Tal afirmação pode ser evidenciada não só pela propagação desse preconceito na mídia, como também pelo fato de as escolas brasileiras ensinarem apenas a norma culta. Logo, medidas devem ser providenciadas a fim de educar a população acerca da sociolínguistica.
Sob esse viés, pode-se perceber que a expansão da Globalização, no século XX, facilitou a aproximação de diferentes culturas. Com isso, o preconceito linguístico tornou-se mais evidente na sociedade. Com exemplo dessa realidade, destaca-se o ocorrido em São Paulo, o qual teve visibilidade nacional, em que um médico ridicularizou seu paciente José Oliveira, em postagens do Facebook, pelo fato de que ele não sabia pronunciar e escrever termos técnicos da medicina. Dessa maneira, a mídia é um veículo de propagação desse problema e, sendo assim, é inadmissível que não haja um controle rigoroso de permissão para as publicações feitas por usuários, tendo em vista que muitas pessoas são expostas a situações constrangedoras, tais como o ocorrido mencionado.
Ademais, vale ressaltar que a matriz das escolas brasileiras contemplam apenas o ensino da norma culta. Assim, destaca-se o pensamento de Marcos Bagno, o qual afirma que de todos os instrumentos de controle e coerção social, a linguagem talvez seja o mais complexo e sutil. Por conseguinte, é inaceitável a permanência dessa situação em um contexto escolar, pois os alunos têm contato direto com a linguagem coloquial, entretanto, nas salas de aula a oralidade da língua não é aceita e, dessa forma, muitos estudantes são vítimas do preconceito linguístico, tanto pelos professores como pelos colegas de turma.
Com base no que foi discutido, torna-se evidente a necessidade de visibilidade das variações linguísticas do Brasil. O Ministério da Educação (MEC), portanto, deve alterar a matriz curricular da disciplina da Língua Portuguesa. Tal medida pode ser feita por meio de um planejamento com linguistas, já que eles estarão hábeis a estudar, de maneira eficiente, a coloquialidade da língua aliada ao contexto socioeconômico e regional das escolas brasileiras. Além do mais, a mídia pode estabelecer critérios mais rigorosos para a publicação de conteúdos na rede. Espera-se, com isso, erradicar a estratificação social causada pelo preconceito linguístico.