Preconceito Linguístico

Enviada em 29/10/2018

Desde o advento da Colonização Portuguesa no Brasil, a sociedade é desafiada a lidar com mudanças e adaptações. Hodiernamente, tal desafio revela-se na necessidade de superar os problemas ocasionados pelo preconceito linguístico, que continua a permear a convivência cidadã, devido à deficitária incrementação legislativa e à compactuação da sociedade. Diante disso, é preciso conhecer os diversos estigmas desse problema, na propensão de solucioná-lo.

Em uma primeira análise, sob a ótica sociológica, a persistência da problemática no Brasil é intrinsecamente fomentada pela negligência e pela contemporização da sociedade que se omite diante de situações de intolerância linguística. Nesse sentido, em um estudo publicado pela Folha de São Paulo, foi divulgado que o aumento dos casos de preconceito e segregação, que resulta a exclusão social constrói-se historicamente na formação social brasileira como traço revelador do passado cultural nacional. Desse modo, a sociedade torna-se a principal vítima de suas próprias contradições, omissões e condutas.

Em uma segunda instância, vale pontuar, sob a ótica jurídico-normativa, que a persistência dos casos de austeridade da língua, no Brasil, possui estreita relação com a inaplicabilidade das leis estabelecidas pela Carta Magna de 1988, a qual garante o direito à liberdade de expressão. Essa conjuntura é ainda corroborada pelo fato de tais normas apresentarem falhas, deixando os indivíduos de regionalidades diferentes sofrerem repressão pela forma que se expressam, evidenciando, assim, a face de um governo sem atitudes vigentes. Nesse sentido, em um artigo publicado pela Folha de São Paulo, o jornalista Élio Gaspari afirma que a recorrência dessa circunstância se deve à fragilidade da máquina jurídica do país. Logo, a reversão desse paradigma configura-se como importante dever político nacional.

Infere-se que a falta de atitude do Governo, em paralelo à omissão da sociedade, são, portanto, condições diretas para que o grave caso de preconceito linguístico ocorra no Brasil. A fim de que haja a imprescindível superação desse panorama, faz-se necessário que o Governo, por meio do Ministério da Educação, implemente núcleos de debates e divulgação sobre a intolerância de diferentes usos coloquiais da língua. À vista disso, os professores devem criar dinâmicas de grupos nas escolas, envolvendo alunos e a comunidade, retratando situações reais de como é livre o uso da forma coloquial com busca de soluções para discursos de ódio que são disseminados, permitindo, dessa forma, uma ação eficaz no tratamento da problemática, a fim de introduzir a tolerância no cidadão.