Preconceito Linguístico
Enviada em 28/10/2018
O filósofo iluminista do século XVIII, Jean Jacques Rousseau, defende o conceito de Estado Natural. Ou seja, para ele, o indivíduo nasce bom, cheio de potencialidades que são moldadas por meio dos valores e direções imprimidos com a educação. Entretanto, caso esta seja precária ou inexistente, o homem torna-se suscetível a ser influenciado pelas mazelas da sociedade e, tais valores são corrompidos. Sendo assim, pode-se mencionar como consequência da quebra do Estado Natural, o preconceito linguístico, visto que essa intolerância é fruto de um sociedade pautada na desigualdade social e no individualismo. Logo faz-se necessário resolver tal problemática.
Diante desse cenário, de acordo com a Constituição Cidadã brasileira, todos os indivíduos têm direito à educação. Contudo, é necessário mencionar que o Brasil é um país extremamente classista e desigual, no qual, para muitos brasileiros, o acesso ao ensino é um privilégio. Logo, é notório existirem divergências na forma em como a língua portuguesa é falada e escrita, além do regionalismo, que está diretamente associado a tais diferenças. Conquanto, ao invés de serem aceitas e vistas como fundamentais para enriquecer a cultura brasileira, o preconceito linguístico condena as divergências e as associa como falta de capacidade intelectual do cidadão, marginalizando-os.
Ademais, o individualismo intrínseco dos brasileiros impede a aceitação das divergências linguísticas uma vez que a falta de empatia impossibilita a capacidade de compressão das diversas realidades dos país. Ou seja, para um indivíduo que teve acesso à educação a vida toda, dialogar e escrever de maneira correta é extremamente fácil. Já para uma pessoa de classe baixa que vê a escola como um privilégio e, que desde criança teve que ajudar financeiramente a família, o emprego da norma culta é dificultada. Sendo assim, a partir do momento em que a intolerância linguística é praticada pelo primeiro cidadão em relação ao segundo, prova-se que o individualismo coloca-se a priori a empatia.
Dessa forma, para erradicar a intolerância linguística no Brasil, urge que medidas sejam tomadas. Coíbe ao Ministério da Educação e Cultura com respaldo do Governo Federal realizar palestras nas escolas sobre o preconceito linguístico e seus males. Essa medida deve ser ministrada por profissionais da educação e psicólogos, a fim de orientar os alunos a compreenderem que o Brasil é extremamente plural e a divergência linguística é comum e precisa ser aceita. Além disso, os pais necessitam educar os seus filhos a respeitarem as diferenças e serem mai empáticos, sendo capazes de compreenderem a realidade dos demais. Por fim, o Legislativo deve criminalizar o preconceito linguístico pois fere a cultura brasileira.