Preconceito Linguístico

Enviada em 28/10/2018

A Carta Magna de 1988 - lei fundamental e suprema do país - afirma que " ninguém será submetido a tortura nem ao tratamento desumano ou degradante". No entanto, o preconceito linguístico presente no Brasil impossibilita que uma parcela da população desfrute esse direito na prática. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados para que uma sociedade integrada seja alcançada.

A princípio, a educação é um fator fundamental para o desenvolvimento de um país. Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Contudo, a realidade é justamente o oposto e o resultado dessa constante é refletido na imposição de uma superioridade linguística presente na sociedade brasileira. O livro “Preconceito linguístico: o que é, como se faz”, escrito pelo professor Marcos Bagno, defende que o preconceito está diretamente ligado a confusão feita entre a língua e gramática normativa. Somado a isso, o professor Marcos também afirma que a língua é um instrumento mutável, e que o português deve ser ensinado como qualquer outra matéria. Diante do exposto, é válido que as escolas tragam a temática para o interior das salas de aula, com o intuito de escassear essa superioridade linguística.

Ademais, cabe ressaltar que a desigualdade social existente é uma sequela deixada pelos portugueses, pois ainda implica no cotidiano das pessoas. A partir da colonização, o Brasil passou por um processo de miscigenação, por isso é formado por uma fricção interétnica, isto é, diferentes culturas compartilham o mesmo território. Todavia, tal interação não ocorre de forma harmônica, devido ao pensamento eurocêntrico, que considera os costumes dos outro povos inferiores, o que gera a intolerância ao linguajar do próximo. Sabendo disso, é importante a preservação da língua, pois a mesma é um patrimônio cultural indispensável para a conservação da memória de um povo.

Urge, portanto, que medidas são necessárias para a resolução desse impasse. Logo, cabe ao Ministério da Cultura, em parceria com os meios midiáticos, promover campanhas através das TVs, jornais, revistas e redes sociais, para que a sociedade entenda que a população brasileira é formada por uma fricção interétnica, com o intuito de haver um maior respeito mútuo entre as pessoas. Ademais, é dever do Ministério da Educação conjuntamente às escolas, criar projetos falando sobre a variedade linguística existente no país, com o propósito de sensibilizar os alunos e as famílias. Dessa forma, o Brasil pode superar o problema com relação ao preconceito linguístico e, por conseguinte, assegurar a todos os direitos garantidos pela Constituição Federal.