Preconceito Linguístico
Enviada em 28/10/2018
O conceito de equidade surgiu com o filósofo Aristóteles, onde o mesmo disse: “devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida da sua desigualdade”. De maneira análoga, a língua também deveria ser discorrida com equidade, porém não é o observado. O preconceito linguístico é uma mazela social brasileira que necessita ser mitigada.
Similarmente ao passado, o português culto ainda é utilizado para reprimir o português coloquial e seus dialetos. Prova disso foi a literatura jesuítica empregada para com os nativos das terras tupiniquins, com a intenção de catequiza-los. Prática a qual punia os que não se adequassem ao novo idioma. Evidentemente, essa herança se manteve, ao observar casos rotineiros como o do jornalista Augusto Nunes, que em dado episódio defendeu a superioridade do novo presidente, Michel Temer, aos anteriores, por “saber falar português”. Nesta perspectiva, tal conjuntura desencadeia a descriminação gerada pela intolerância linguística.
Além disso, supor a inércia de uma língua é uma inverdade. É conveniente destacar o modernismo que se opunha ao parnasianismo. “Estou farto do lirismo comedido/ do lirismo bem comportado”, expôs o escritor Manuel Bandeira. Analisando os movimentos literários nota-se uma constante mudança entre eles, exercida pelo tempo, posição social e regionalidade de cada escritor. Apesar de do modernismo levantando essa bandeira, é notória a necessidade de ações mais contingentes hodiernamente.
Portanto, é fundamental uma ação conjunta entre o Ministério da Educação e os canais televisivos, na qual este, por meio da representatividade linguística em ficções engajadas, será responsável pela sensibilização social, transformando a, assim, em um agente ativo na busca pela diversidade linguística, consequentemente refletindo na tolerância. Só assim, o idioma irá se encaixar no conceito de equidade de Aristóteles.