Preconceito Linguístico
Enviada em 28/10/2018
Um preconceito da Elite
O preconceito linguístico é muito comum, seja no Brasil como no resto do mundo. Ele traz consigo traços de intolerância que causam alienação de determinado grupo em detrimento daquele que domina, no português, a norma culta. Esse preconceito ocorre tanto com as variantes regionais, como com as temporais e se dá porque a maioria das pessoas não enxerga a língua como ela é: instrumento para comunicação. Dessa forma, o importante é conseguir passar sua mensagem com eficiência, não é necessário “soar bonito” ao fazê-lo, como afirmou Marianna Pascal ao TEDex talks.
Acerca desse assunto, Edgar Morin disse que: “A forma hoje como nós produzimos conhecimento produz também ignorância.”, isso se torna fato quando percebe-se que os mais escolarizados são responsáveis por difundir e o preconceito linguístico. Isso porque, como dominam a chamada “norma culta” da língua, acabam por entender como inferiores as variantes regionais, por exemplo. Mas, fato é que todas as variantes devem ser igualmente respeitadas, pois trazem consigo traços culturais e históricos da formação de determinado povo, sendo tão importantes como as outras.
Além disso, há preconceito dos mais velhos em relação aos mais novos, com o uso de expressões como “tipo” e “top” e, também, jovens em relação aos idosos sobre o uso jargões como “supimpa” e “brotinho”. Esse tipo de comportamento evidencia a volatilidade da língua, que está em constante mudança. Sendo assim, a língua, assim como as pessoas, é viva e muda de acordo com o tempo e a região. Dessa forma, há algum tempo era comum que as pessoas dissessem “vossa mercê”, hoje em dia essa expressão se tornou “você”, em alguns lugares se diz “ocê” e, até mesmo, “cê”. E, todas elas servem para a segunda pessoa do discurso e, igualmente, servem para contar a história do português.
Logo, é primordial que, para reduzir tal preconceito à curto prazo, a mídia faça campanhas massivas, promovidas pelo Ministério da Educação (MEC), a fim de demonstrar, efetivamente, e trazer à tona as diferentes variantes da linguagem. Outrossim, para agir na base do problema, é importante que o MEC adicione à Base Nacional Comum Curricular o estudo das diferentes variantes linguísticas e, não apenas a norma culta. Com isso, aos poucos seria impossível fazer aquilo que Marianna propôs em sua palestra: tratar a língua como instrumento de comunicação efetiva e não como forma de elitizar certos grupos da sociedade.