Preconceito Linguístico
Enviada em 29/10/2018
“Para dizerem milho dizem mio. Para dizerem melhor dizem mió. Para dizerem pior dizem pió”. O modernista, Oswald de Andrade, já desdobrava no anos 60, um pré-julgamento existente na época e que persiste no contemporâneo: o preconceito linguístico. Para melhor análise dessa questão, avalia-se o etnocentrismo como um caminho para a não identificação de outros costumes e também a ineficiência do Estado no combate desse estigma esdrúxulo. Entretanto, faz-se necessário conhecer as raízes da problemática para impulsionar ações positivas que mitiguem a mazela.
É elementar considerar, que apesar do Brasil ser reconhecido como um país plural, ainda é cercada de fatores históricos etnocêntricos. Observa-se, no processo de colonização, a imposição da língua portuguesa aos índios, feita pelos jesuítas, os quais viam a língua Tupi inferior aos deles. De maneira análoga, contextos semelhantes são vivenciados periodicamente, pois ao notar, em programas televisivos como o “A Praça é Nossa”, o uso do sotaque coloquial nordestino para causar risos na plateia, é observado o manutenção de tal desprestígio. Sob essa luz, Carlos magno, escritor e linguista, é enfático ao inferir sobre o preconceito linguístico ser uma das formar mais sutis e perversas de exclusão social, que deve ser combatido e denunciado.
Outrossim, é válido ressaltar a ausência do Estado na prática de políticas educacionais eficientes, para desmistificar o preconceito linguístico. Sob essa premissa, depreciação, aversão e intolerância são entraves encontrados hoje, refletidos desde o Governo de Getúlio Vargas, período em que as variedades linguísticas não eram contempladas, impondo ao corpo social um padrão, imposição essa que desmerecia as outras diferentes línguas. Tal atitudes é justificada pelo filósofo Mario Cortela, o qual acredita que todo tipo de manifestações negativas é entendida como um reflexo da ignorância advinda de pensamentos superficiais, o que deixa clara o pouco conhecimento da pluralidade do País.
Entende-se, portanto, que a falta de conhecimento educacionais é um das mazelas que corrobora na perpetuação do preconceito linguístico. A fim de atenuar o problema, o Ministério da Educação, em conjunto com as escolas, insira por meio de currículo escolar,disciplinas que auxiliem os estudantes, tanto em seu processo escolar, como em sua vida social, com o objetivo de que esses saibam respeitar
as diferenças e aprender a contemplar as pluralidades que estão presentes no país. Ademais, a mídia, por intermédio de novelas e propagandas, de mais enfase e agreguem mais valor a originalidade da língua brasileira e a maneira como ela pode ser representa, como intuito de garantir a cidadania de cada indivíduo, pois já dizia o escritor Paulo Freire, a educação não transforma o mundo, a educação muda as pessoas e pessoas transformam o mundo.