Preconceito Linguístico

Enviada em 27/10/2018

A partir da análise de Marcos Bagno, doutor em filologia, linguística e escritor brasileiro, a denominação preconceito linguístico é somente um disfarce para o preconceito social que de fato é predominante. Diante disso, afirma-se que o uso da língua como forma de coerção influencia na realidade contemporânea de aversão ao diferente, concomitante com a desigualdade social e econômica presente no corpo social. Além disso, destaca-se que o modelo de comunicação sofre interferência do convívio e das experiências vividas pelos indivíduos. Assim, a partir dessa perspectiva, cabe discutir por que há esse estigma da língua e como o governo pode tornar o cenário positivo.

Sob essa ótica, cabe analisar, primeiramente, que o conhecimento da gramática normativa tem sido usado como um instrumento de distinção e de dominação pela população culta, ao passo que esse se configura como o mais complexo e sutil forma de coerção. Além disso, vale abordar que a discriminação naturalizada na sociedade brasileira, como afirma Bagno, se caracteriza apenas por corroborar com os problemas sociais vigentes, os quais são distinguidos pelo nível de ascensão. Todavia, pondera-se que esse ponto de vista não exclui o uso da norma culta, apenas usa-a como base para o ensino, com a junção de diversidades regionais, étnicas, culturais e temporais que decorrem no corpo social. Assim, deve se promover a desarticulação do caráter de mercado presente na língua .

Vale destacar, também, que a ética pautada nos comportamentos preconceituosos vigentes divergem da ideia de Aristóteles, o qual afirma que o indivíduo ético prioriza o bem coletivo e cumpre os acordos entre os seres. Ou seja, a valorização das diferenças linguísticas e o respeito aos indivíduos falantes resulta em uma boa convivência social com a possibilidade de melhorias das desigualdades e intolerâncias. Com isso, cabe verificar que a união entre ética, moral e os contrastes entre os cidadãos representa um avanço relacionado a estigmatização linguística e a exclusão social.

Portanto, conclui-se que o posicionamento referente a essas ideias demandam duas ações pontuais. A principio, o governo deve proporcionar o ensino inclusivo nas escolas promovendo a confluência da gramática culta e as diversidades linguísticas presentes no país, com o uso do professor como principal mediador, a fim de pôr fim ao paradigma capitalista e de mercado que aliena os indivíduos. Outra medida que deve ser efetivada, também, pelo governo com a promoção de campanhas sociais com educadores e sociólogos para a construção de uma sociedade tolerante com o próximo em compromisso com a cidadania com o intuito de fazer com que as diversidades nos comportamentos linguísticos sejam respeitadas e valorizadas. Por meio dessas ações, acredita-se na inclusão dos indivíduos em todos os âmbitos da vida coletiva.