Preconceito Linguístico
Enviada em 27/10/2018
Na antiguidade greco-romana, os povos não falantes de latim eram considerados bárbaros e sem cultura. Analogamente, a sociedade brasileira possui um ideal semelhante, pois o Brasil é extenso territorialmente e com regiões diversificadas culturalmente, o que ocasiona diferentes formas de se comunicar. Consoante à antiguidade, há práticas de preconceitos relacionados à fala que geram estereótipos e privações sociais ao cidadão brasileiro.
Sobretudo, na colonização brasileira, houve trocas culturais entre índios, portugueses e africanos. Indubitavelmente, a língua brasileira é uma fusão dessas culturas, fornecendo particularidades a cada região. Contudo, erroneamente alguns brasileiros praticam preconceito linguístico, o ato de descriminar alguém falante do mesmo idioma por não respeitar as variações decorrentes na língua como gírias, sotaques e dialetos. Tais erros refletem na vida do cidadão, pois a ele é direcionado diversos estereótipos, atribuindo características pejorativas a essa população. A exemplo, no sudeste brasileiro há estereótipos relacionados aos nordestinos que os caracterizam como sem intelecto, cultura ou informação apenas por praticarem diferentes formas de comunicação.
Certamente, o preconceito linguístico está presente na sociedade brasileira e gera graves consequências à população atingida. Por conseguinte, algumas pessoas sofrem incômodos ao serem privadas socialmente devido ao preconceito. Tais privações podem ser a proibição do cidadão de adentrar locais renomados ou que necessitam de certa formalidade ou ter seu direito ferido ao não conseguir um emprego devido ao modo que fala. Entretanto, essas privações não são claras e o indivíduo só compreende quando frequenta locais onde é julgado por olhares e comentários indesejados. Contudo, essas discriminações não deveriam ser aceitas visto que na Constituição brasileira toda a população possui o direito de ir e vir, sendo livres para frequentar onde quiser, porém devido ao preconceito esse direito não é garantido.
Em síntese, para que todos possam exercer seus direitos sem preconceitos ou privações e contemplem a plena liberdade, faz-se necessário que o Ministério da Educação junto com escolas, produza palestras e debates com professores de língua portuguesa e sociólogos, para conscientizar os pais e alunos em relação ao preconceito, mostrando que o idioma é formado por diversas culturas e visões de mundo diferentes e que a linguagem não interfere no caráter de ninguém. Ademais, o Governo Federal deve aumentar a fiscalização em empresas e lugres públicos, incentivando o respeito para que todos tenham o direito de trabalhar e frequentar lugares sem discriminação para que assim o Brasil esteja longe do que foi a antiguidade greco-romana.