Preconceito Linguístico
Enviada em 30/10/2018
“Só a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente”. O escritor Oswald de Andrade em sua obra, “Manifesto Antropofágico”, cria uma analogia entre o rito indígena e o processo de deglutir uma outra cultura, dessa forma, por meio da combinação e assimilação, são criados nossos próprios elementos culturais. Contudo, a questão da pluralidade linguística é alvo do preconceito de alguns grupos sociais.
Ademais, tal pensamento retrógrado e intolerante, remete-se ao olhar etnocêntrico dos nossos colonizadores lusitanos, como também, a falsa noção de relação entre avanço tecnológico e evolução da língua. Além do mais, no campo sociológico, devemos contrapor à visão etnocêntrica, por meio do relativismo cultural. Em suma, respeitando e estudando cada variedade linguística como única, sem eleger uma superior.
Além disso, o fator histórico foi determinante para fortalecer o prejulgamento. Em 1757, o estadista português, Marquês de Pombal, instaurou a língua portuguesa como a oficial para a colônia, solapando a língua geral, combinação entre tupi e português. Dessa forma, o ideal monolinguístico dava seus primeiros passos. Entretanto, parafraseando o linguista Marcos Bagno, “não existe língua no mundo que seja uniforme e homogênea”.
Portanto, a heterogeneidade é um reflexo das diferenças sociais, geográficas e econômicas das classes sociais. De tal maneira, destratar uma variante, é igualmente ofender um indivíduo e o grupo social ao qual ele pertence. Outrossim, deve-se instruir o uso da norma culta em ambientes formais, porém em âmbito informal, qualquer que seja a língua, irá cumprir seu dever de comunicação. Logo, bastando por si mesma.
Desse modo, deve-se expor a pluralidade das combinações que formam nossa língua. Por isso, seria interessante que o Ministério de Telecomunicações, promovesse sabatinas com linguistas e historiadores. Uma vez que, transmitidas em diferentes veículos de comunicação, atingiriam distintas camadas sociais, assim , conscientizando a todos.