Preconceito Linguístico

Enviada em 26/10/2018

Parafraseando Confúcio, “Se queres prever o futuro, estuda o passado”, o preconceito linguístico não é um problema contemporâneo. Desde a chegada dos portugueses ao Brasil, no ano de 1500, podemos perceber que essa vicissitude é uma prática. Trazendo consigo a missão jesuítica, houveram os primeiros indícios referentes a um processo educacional que seria realizado, com o intuito de difundir a sua linguagem, costumes e religião como sendo únicos a serem seguidos pela população que aqui residia. Mesmo após avanços educacionais, é axiomático que o preconceito ainda ocorre nas suas mais variadas formas, através das múltiplas variações linguísticas existentes no país, o que acarreta em uma  aversão ao diferente, gerando inclusive casos de exclusão social.

Em primeiro plano, evidencia-se que a extensão territorial do país contribui para a criação de diversos tipos de expressões e sotaques, sendo que tal variação ocorre de maneira mais acentuada entre as regiões. Não podemos deixar de citar que a língua falada, hodiernamente, simboliza também a diversidade cultural e a miscigenação que aqui ocorreram desde os tempos da colonização portuguesa. Como já observado por Oswald de Andrade, escritor brasileiro do século XIX, por conta do preconceito linguístico, defende em seu poema “Pronominais” que o cidadão brasileiro tenta falar para ser entendido, mas há uma distância entre a linguagem falada e a escrita, uma vez que muitos indivíduos persistem na ideia de que a norma culta da língua portuguesa seja a única apta a ser seguida.

Ainda no que diz respeito ao preconceito linguístico, podemos ressaltar a exclusão social como uma de suas consequências mais recorrentes, acentuando ainda mais as desigualdades do país. A língua sendo usada como ferramenta essencial da comunicação, quando empregada de maneira em que o receptor não seja capaz de compreender a mensagem, é capaz de causar o julgamento depreciativo em relação ao emissor. Tal fator corrobora para que os indivíduos desenvolvam problemas de sociabilidade e, até mesmo, psicológicos.

Diante dos fatos aludidos, faz-se necessário que sejam tomadas providencias que tenham como finalidade a resolução desse impasse. Cabe ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), que tem por objetivo melhorar a qualidade da educação, o dever de reformular as diretrizes curriculares dos cursos de licenciatura, tornando os professores qualificados ao ensino do aprofundamento das variedades linguísticas, de acordo com o contexto em que deverão ser empregadas, assegurando desta maneira o direito de educação a toda população, sem discriminação, sanando de forma gradativa os problemas gerados pelo preconceito linguístico.