Preconceito Linguístico
Enviada em 26/10/2018
O Brasil é um país de dimensões continentais, isso permitiu que cada região desenvolvesse suas próprias tradições, inclusive a língua se difere. Entretanto, o que deveria ser motivo de orgulho, dada a riqueza cultural, resulta em preconceito linguístico. As causas desse preconceito são os mitos criados sobre a língua portuguesa.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que com a colonização dos portugueses, o português tornou-se a língua oficial do Brasil. Porém devido a interação com índios e também com outros povos como os africanos, holandeses e franceses por exemplo, a língua sofreu variações. Como afirma o linguista Marcos Bagno, a língua é mutável e se adapta as necessidades de quem a fala. Essas modificações são percebidas nas diversas regiões do país em que os sotaques e as gírias são diferentes, além de existir dialetos. Contudo, infelizmente, essa diversidade é alvo de piadas, apelidos pejorativos e exclusão social.
Para entender o porquê dessa atitude em relação as diferentes formas de falar é preciso compreender que ao longo da formação social do Brasil muitos mitos acerca da língua portuguesa foram inventados, de acordo com Marcos Bagno. Alguns desses mitos são: o português correto é o de Portugal; o português é muito difícil; pessoas sem instrução falam errado. Essas crenças geram exclusão social de quem é alvo do preconceito, visto que atinge diretamente sua identidade social, o quê gera o sentimento de pertencer a um grupo, sociedade e nação.
Fica claro, portanto, que a língua é parte fundamental da criação de uma cultura e da identificação com a sociedade, quando esta é afetada o indivíduo sente-se excluído, podendo desenvolver algum transtorno psicológico, como a depressão. Portanto, é necessário acabar com aqueles mitos, a fim de cessar o preconceito. Para isso o Ministério da Educação deve criar projetos pedagógicos para as escolas em que exaltem as diferenças culturais e fale da importância da diversidade linguística . Outra medida necessária é instruir os professores de português a falarem que há diferenças entre a norma culta e o coloquial e que este não está errado, porém explicar quando deve-se empregar cada uma. Com essas medidas é possível acabar com o preconceito linguístico.