Preconceito Linguístico
Enviada em 26/10/2018
Segundo o filosofo Michel Foucault: “precisamos resolver nossos monstros secretos, nossas feridas clandestinas e toda insanidade oculta”. De forma análoga, o preconceito linguístico se apresenta como uma insanidade oculta, mesmo após progressos nos âmbitos históricos e Constitucionais; resultando em uma série de entraves para o desenvolvimento pleno da sociedade. Tal conjuntura evidencia-se pela intolerância ao diferente e ainda, a consequente segregação oriunda desta.
Em primeira análise, é importante pontuar que a intolerância histórica é o principal fator causador da perpetuação de preconceitos linguísticos. Assim, como a colonização Europeia ignorou os inúmeros dialetos vigentes na colônia, uma vez que a língua portuguesa foi a única aceita e taxada como certa. Contudo, no século XXL, o maior difusor de tal mal é o meio escolar; considerando como correto apenas a gramática normativa, ignorando qualquer variante linguística. Isso leva a constatação, que a perpetuidade de ações intolerantes durante a história, influencia diretamente o ensino excludente no país.
Em segunda análise, é importante sinalizar o quanto a insanidade mencionada já anteriormente por Foucault, interfere no exercício Constitucional com uma consequente, segregação social. Isso afeta sobretudo, no artigo 5º da Constituição de 1988, todos são iguais perante a lei. Entretanto, no cenário atual vê-se que esse direito não é posto em prática de maneira efetiva. Visto que o domínio da gramática na forma culta é dominante entre aqueles com maior grau de educação; logo, a parcela da população sem estudos, se veem excluídos. Assim, o preconceito linguístico proporciona mais uma minoria, dificultando o exercício de suas cidadanias.
Fica claro, ações de caráter intervencionista a fim de conter as insanidades envoltas na persistência do preconceito linguístico na sociedade brasileira. Portanto, urge a necessidade da intervenção do Ministério da Educação em meios escolares afim de tornar os meios escolares menos excludente tanto pelos alunos quanto pelos mestres, através de cursos de cunho informacional a ambos. Ademais, o Ministério das Comunicações deve disseminar os perigos envoltos na prática deste mal por meio de panfletos, rádios, tv e redes sociais. Desse modo, a busca por instrumentos que valorize a cultura e história do povo, possibilitando uma nação menos intolerante e consequentemente, plena frente ao correto exercício da cidadania