Preconceito Linguístico

Enviada em 25/10/2018

Desde a declaração da Constituição Cidadã, de 1988, entende-se o exercício democrático e de cidadania antecede qualquer norma linguística, concedendo,portanto, direitos como o de voto e expressão para todos os indivíduos independente do seu nível de conhecimento gramatical. No entanto, no Brasil, atualmente, quando se observa o preconceito linguístico presente tanto no meio acadêmico quanto no social, verifica-se que o ideal da constituinte ainda precisa ser arraigada na sociedade e a problemática  persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela falta de ações políticas, seja pelo meio social preconceituoso. Nesse sentido, convém analisar os principais fatores que garantem a manutenção dessa descriminação.

Sob tal viés, é indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. De acordo com o filósofo Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio na sociedade seja alcançado. De maneira análoga, no Brasil, a manutenção da gramática normativa como a correta rompe com essa harmonia, haja vista que o principal objetivo da língua, o de comunicação, permanece em segundo plano em relação à norma da língua, logo marginalizando as diversas formas de comunicação que temos.

Outrossim, destaca-se o meio social discriminatório como impulsionador do problema. Segundo o sociólogo Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar, dotado de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que como as classes sociais, regiões brasileiras possuem modos de falar e expressar diferentes, o pensamento coletivo favorecerá o modo da classe mais abastada em detrimento das menos favorecidas, e com isso, cria-se o padrão gramatical e, por conseguinte, inferioriza a fala do oprimido.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo mais inclusivo. Destarte, o Ministério da Educação deve flexibilizar a norma culta, promovendo o combate ao preconceito linguístico, de modo que a comunicação seja o foco dessa ação para que a sociedade entenda a real função da linguagem rejeitar esta intolerância. Sendo assim, a idealização sobre política, feita por Aristóteles, será mais próxima dos brasileiros