Preconceito Linguístico

Enviada em 25/10/2018

Desde o parnasianismo, Olavo Bilac já exaltava a Língua Portuguesa como a “última flor do Lácio”, uma das heranças do Império Romano. A língua, como um dos principais instrumentos que sustentam a vida em sociedade, é responsável pela comunicação e interação entre indivíduos. Contudo, ela também pode atuar de forma negativa, sendo uma das ferramentas para a segregação social. é notável, que o preconceito linguístico no Brasil, é muito evidente, e, por isso, é preciso entender às diversas variantes na língua, e uma não deveria ser mais prestigiada em relação às demais.

Antes de tudo, devemos salientar que nosso país possui dimensões continentais e embora todos falamos a língua portuguesa, ela apresenta diversas variações e particularidades regionais. Isso significa que a língua está em constante transformação, e os responsáveis pelas mudanças são os próprios falantes, independente de classe social. Nesse sentido, percebe-se que não se deve desconsiderar a gramática normativa e suas regras, já que ela serve como base para o sustento do idioma.

Outrossim, é evidente que o fato de existir uma variante padrão faz com que as demais sejam desprestigiadas, gerando o preconceito linguístico. Esse tipo de preconceito acentua ainda mais a desigualdade social no país, pois a língua está ligada à estrutura de valores da sociedade, e os falantes da norma culta são aqueles que apresentam maior nível de escolaridade. Entretanto, é incoerente pensar como as músicas de Adoniram Barbosa, que utilizavam a modalidade coloquial, faziam sucesso e o falar popular é excludente.

Fica claro, portanto, que a língua é um fator decisivo na exclusão social. Por isso, o preconceito linguístico deve ser admitido e combatido. Primeiramente, as escolas deveriam fazer uma abordagem mais aprofundada sobre esse tema, além de abordar, nas aulas de Português, todas as variantes existentes na língua. A mídia deveria parar de estereotipar os personagens de acordo com a sua maneira de falar, e poderia investir em campanhas que ajudem a desconstruir o preconceito linguístico. Dessa forma, podemos abandonar o rigor formal acerca da Língua como feito pelos Parnasianos e diminuir o preconceito e segregação na sociedade.