Preconceito Linguístico
Enviada em 26/10/2018
No Brasil, o preconceito linguístico, praticado,atualmente,pelos falantes da norma culta, é um problema persistente que começou na colonização portuguesa.Essa conduta terrível ocorre ainda porque o sentimento de superioridade dificulta a formação de alteridade com as variantes linguísticas. Como resultado, inúmeras indivíduos estão sofrendo tanto o isolamento social quanto a opressão linguística.
Em primeiro lugar, é indubitável que a educação gramatical culta sem a demonstração dos preceitos históricos, como a importância dos dialetos para o dinamismo lexical, favorece a emoção de supremacia de seus adeptos. Dessa forma, a alteridade torna-se um fator escasso, haja vista que os jovens crescem aprendendo apenas uma variante linguística entre várias existentes. Com isso, a formação da nacionalidade multicultural brasileira corre perigo, uma vez que, como evidenciava o modernista Oswald de Andrade, as variações regionais são de extrema importância para forma-la.
Outrossim, destaca-se que a intolerância contra os dialetos provoca a marginalização social, visto que, por vezes, é motivo cômico. Exemplo disso aconteceu no Hospital de São Paulo, o médico Guilherme Capel publicou na rede social o seguinte dizer: “não existe peleumonia e nem raôxis”. Tal comportamento provoca a opressão dos modos regionais de falar, já que para conseguir a aceitação social, inúmeros cidadãos lutam contra suas peculiaridades , favorecendo a homogenização da língua.
Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que o Ministério da Educação implementar desde o primário, por meio da história e do português, o estudo interdisciplinar da importância cultural das variações linguísticas para a formação da nacionalidade, assim como do português formal. Além disso, pode-se usar a educação física para gerar, por intermédio dos esportes coletivos, a alteridade. Dessa forma, o jovem crescerá não só entendendo a importância do dialeto para a formação da norma culta, como também aprenderá a respeitar as diferenças, quebrando, desse modo, o elo de preconceito linguístico que perdura desde a colonização.