Preconceito Linguístico
Enviada em 25/10/2018
De acordo com o escritor britânico Oscar Wilde, que viveu no século XIX, época de esplendor do racionalismo, “o primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou nação”. Nesse contexto, faz-se necessário sair da inércia e engendrar - cautelosamente - medidas assertivas cujo objetivo seja combater o preconceito linguístico. Em vista disso, é fundamental uma análise mais abrangente em relação aos fatores que contribuem para que a sociedade naturalize esse preconceito tanto social como culturalmente.
Convém ressaltar, antes de tudo, que o preconceito linguístico é um pretexto para segregar pessoas cujo nível social é inferior. Nesse sentido, durante a Era Vargas, a escola literária do Modernismo buscou valorizar as diferentes expressões linguísticas do país, pois as considerava uma riqueza para a cultura nacional. Todavia, atualmente, essa valorização linguística tem perdido espaço para um preconceito social, que tende a julgar as falas populares como inferiores. Além do mais, a própria mídia corrobora com esse preconceito, à medida que difunde estereótipos sociais. Prova disso está no personagem regional Jeca Tatu, que é posto para engendrar o escárnio e o riso nos espectadores, além de pertencer a uma classe social inferior. A intolerância, porém, não se resume ao aspecto social.
Outrossim, o preconceito linguístico coloca a sociedade na contramão não apenas do desenvolvimento social, mas também cultural. Isso porque a linguagem, por não ser estática, se configura em uma multiplicidade de fatores, uma vez que ela está inserida em diversos contextos, sendo importante para a comunicação de saberes. Sem dúvida alguma, a literatura de Cordel, por meio de relatos orais, transmite aspectos culturais que tendem a ampliar a visão de mundo do indivíduo. De modo que, segundo o crítico literário Roland Barthes, as dimensões culturais da literatura são capazes de fornecer condições para o desenvolvimento do indivíduo. Com feito, ela contribui para que o homem se transforme e, enquanto sujeito social, transforme também o seu redor. Logo, descriminar alguém por alguma fala que está fora dos padrões da norma culta é o mesmo que regredir culturalmente.
Urge, portanto, a proeminência de medidas para esse revés. Previamente, cabe à mídia valorizar, por meio de novelas e filmes, as falas populares, para que seja possível desconstruir o rótulo de ignorante e atrasado que acompanha as pessoas que se expressam levando em conta os dialetos regionais, a fim de combater um preconceito que a própria mídia ajudou a criar. Ademais, cabe à escola e às famílias, em conjunto, demonstrar, por meio de palestras e projetos educacionais, a importância do respeito às diferentes expressões linguísticas, visando demonstrar a importância delas para a cultura nacional. Somente assim, será possível combater os retrocessos que o preconceito linguístico trouxe para o país.