Preconceito Linguístico
Enviada em 25/10/2018
No processo de colonização portuguesa no Brasil, a violência não foi somente física, mas também simbólica, porque impuseram aos nativos a cultura europeia, inclusive a língua portuguesa. Dessa forma, o preconceito linguístico, discriminação entre falantes de uma mesma língua por causa de suas variações, possui correlação com dominação política. A decorrência dessa violência tem como causa o preconceito de classe e os modo de operar dos meios de comunicação.
Primeiramente, o preconceito contra pessoas não falantes da gramática normativa é devido a ideologia da época. Karl Marx, filósofo e economista do século XIX, dizia que a ideologia vigente é composta pelos valores que privilegiam a classe dominante. Então, a norma culta da língua portuguesa é considerada a forma correta de falar, pois as classes mais ricas possuem acesso mais facilitado a ela através de escolas de ótimo ensino. Consequentemente, essa estrutura exclui os mais pobres e menos escolarizados.
Ademais, a mídia contribui com a manutenção da estigmatização de variantes regionais da língua oficial. De acordo com Marcos Bagno, linguístico brasileiro, através da visibilidade concedida em maioria a pessoas de determinados locais, há a normatização de seus dialetos como a forma correta de se comunicar, contribuindo com o preconceito contra outros sotaques.
Portanto, é preciso encontrar mecanismos para resolver esse impasse. Para isso, o Ministério da Educação (MEC) deve sugerir materiais didáticos mais eficientes sobre as diferentes formas de se comunicar em português, para que estudantes não somente aprendam, mas respeitem as diferenças da língua falada. Além disso, utilizando subsídios, o governo brasileiro deve incentivar propagandas nos meios de comunicação sobre o respeito aos dialetos brasileiros.