Preconceito Linguístico
Enviada em 25/10/2018
Em 1955, João Cabral de Melo Neto escreveu a obra ‘‘Morte e Vida Severina’’ e objetivou promover a valorização dos falares regionais e sociais marginalizados na sociedade da época. Entretanto, mesmo depois de décadas o objetivo do escritor modernista ainda se mostra distante, na medida em que o preconceito linguístico se perpetua e representa grave problema a ser desconstruído pelos cidadãos e pelo Estado.
Em primeiro plano, é necessário que a sociedade não discrimine as variações linguísticas como, por exemplo as falas dos nordestinos que são ridicularizadas, principalmente, pela mídia e grupos de outras regiões. Além disso, pessoas que moram em capitais acham que sua forma de falar é sublime quanto à fala dos indivíduos do campo. No entanto, esses seres que não tiveram uma boa escola, acabam sendo humilhados com palavras de indiferença e pena quando se pronunciam diante dos mais cultos. Assim, os descriminados se isolam e desenvolvem bloqueios psicológicos.
Vale ressaltar, também, que, no Brasil, a intolerância à forma de falar é algo muito notório. A respeito disso, sabe-se que A constituição Federal de 1988, no seu art. 5º, dispõe que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. No entanto, os frequentes casos de implicância à língua mostram que os indivíduos ainda não experimentam esse direito na prática. Com efeito, um diálogo entre a população, com palestras sobre o combate ao repúdio à fala é a medida que se impõe.
É evidente, portanto, que há entraves para que as variações linguísticas tenham pleno poder de percorrer o país. Dessa maneira, é preciso que as escolas façam umas abordagem mais profunda desse tema, por meio do ensino, como nas aulas de português, de todas as variantes existentes na língua, para que quando as etnias se encontrem se tratem com respeito. É imprescindível, também, que o Estado em parceria com a mídia garantam à inclusão dessas pessoas na sociedade sem distinção, por intermédio de projetos e campanhas, com personagens sem estereotipar a sua maneira de falar, afim de que todos tenham sua dignidade humana preservada.