Preconceito Linguístico
Enviada em 25/10/2018
Com a colonização do Brasil a partir da vinda dos portugueses para a América, a língua portuguesa foi implantada e disseminado entre os povos da nação. Entretanto, a língua dos diversos grupos nativos dessa terra, assim como dos imigrantes advindos de diversas nacionalidades promoveram um processo de aculturação linguística originando as ricas variações da língua portuguesa. Contudo, no que se refere a essas variantes ainda existe um elevado preconceitos por parte de certos setores da sociedade. Dessa forma, faz-se necessário um estudo sobre a problemática e alternativas para combatê-la.
Em primeira análise, evidencia-se que a língua é como um organismo vivo. Sendo assim, ela sofre constante transformações por parte dos próprios falantes e apresenta diversas particularidades no contexto regional, etário, social e histórico. Dessa maneira, conforme o linguista Carlos Bagno, não existe uma forma certa ou errada de se falar o português e apesar de haver uma variante padrão que sirva como base para o sustento do idioma e suas regras gramaticais, não se deve menosprezar as outras variações, pois todas fazem parte do processo de construção da língua e são inerentes à língua portuguesa.
Em segunda análise, observa-se que o prestigio à variante padrão resulta em uma ferramenta eficaz para manutenção da segregação social. Sob esse viés, fica evidente que indivíduos com maior poder aquisitivo e nível de escolaridade, sobressaem-se em detrimento daqueles que não obtiveram as mesmas oportunidades. Tal conjuntura corrobora para uma situação de preconceito e desigualdade social na qual os indivíduos que sofrem essa discriminação tendem a desenvolver problemas de sociabilidade e, até mesmo, a desvalorização no mercado de trabalho.
Infere-se, portanto, que medidas sejam tomadas para reverter essa mentalidade segregacionista. Dessarte, é imperativo que o Ministério da Educação, em consonância com as escolas desenvolva o projeto da “Semana da Variação Linguística”, na qual seria dedicado uma semana do ano letivo escolar para organização de feiras pedagógicas e campanhas, com objetivo de fornecer informações e conhecimento acerca das diferentes variantes da língua portuguesa que existem no Brasil, promovendo o debate entre professores, estudantes e familiares, e a consequente atenuação do preconceito existente.