Preconceito Linguístico
Enviada em 29/10/2018
A Língua Portuguesa é mutável e vai adaptando-se de acordo com o contexto na qual se insere estando intrínseca aos aspectos socioculturais de cada indivíduo. Entretanto, no Brasil, país este com grande extensão continental e que devido a isso possui ampla variedade linguística, infelizmente usa a língua como fator de prestígio social levando ao preconceito linguístico. Nesse sentido, convém analisarmos as possíveis implicações sobre tal problemática nos dias de hoje.
A princípio, deve-se levar em conta a síntese do linguista e filósofo Carlos Bagno, segundo ele, não existe forma ‘‘certa’’ ou ‘’errada’’ e isso decorre pela falta de informação por parte da população. Com isso, a sociedade está arraigada a ideia de que a norma gramatical é a única correta. Devido a essa dificuldade de compreensão gera-se um estranhamento em relação as pessoas que utilizam-se de um sotaque, gíria ou dialeto diferente resultando no preconceito linguístico. No entanto, tal postura é descabível, visto que, a língua vai além de normas gramaticais englobando aspectos culturais e sociais.
Além disso, é valido ressaltar que a conduta discriminatória no tocante a língua é reafirmada a partir de mitos do senso comum. Tal como ‘‘o domínio da norma culta é um instrumento de ascensão social’’ essa afirmação decorre das desigualdades sociais devido a variedade linguística
de determinadas classes sociais em detrimento de um prestígio social maior. Com isso, as variações que não se encaixam em determinados padrões são consideradas inferiores o que não tem nenhum fundamento, já que, a língua não consiste unicamente numa forma de prosperidade socioeconômica.
Portanto, é necessário que as escolas apresentem um modelo socioeducativo pautado na conscientização para que os estudantes se formem com a consciência de toda a diversidade sociocultural que a língua engloba. Espera-se com isso atenuar o preconceito e disseminar respeito ao espaço e as variantes linguística dr todos que compõem a nação.