Preconceito Linguístico
Enviada em 25/10/2018
No período do colonialismo brasileiro, embora a Língua Geral tenha sido utilizada pelos jesuítas na conversão de indígenas, ela foi proibida pela metrópole, resultando, concomitantemente na expulsão desses catequizadores do Brasil. Com efeito, a história da Nação revela a existência de uma pluralidade cultural, todavia, em se tratando da comunicação, as variantes linguísticas são rechaçadas pela parcela mais culta da população, o que revela a ineficiência do Poder Público e de setores socialmente engajados na valorização dos dialetos nacionais.
Em primeira análise, ao mesmo tempo em que as classes dominantes impõem aos setores dominados a necessidade de se adequar à norma padrão do idioma nacional, elas não garantem que essa parcela da população tenha acesso à educação de qualidade no Brasil. Esse processo, que para o pensador Pierre Bourdieu ficou conhecido como “Língua Legítima”, é responsável por fomentar preconceitos contra os diversos dialetos, como os nordestino e nortista, bem como por promover a monopolização do saber linguístico. Desse modo, cria-se a concepção de que existe uma forma “correta” de falar,o que fomenta o preconceito linguístico no País, desvalorizando a multiplicidade neste.
Ressalte-se,ainda, que embora a escola possua um papel essencial tanto na formação intelectual dos indivíduos quanto no estímulo ao respeito às variações do idioma, essa função não tem sido exercida de maneira satisfatória em âmbito nacional, visto que essa instituição também também pode ser responsável pelo recrudescimento do preconceito linguístico no País. Essa problemática decorre do fato de o processo de formação pedagógica da maioria dos professores valorizar a norma-padrão em detrimento das variantes no código português. Isso posto, os alunos não são ensinados a adequar a modalidade falante à situação, mas sim a utilizar da norma culta que, muitas das vezes, não é dominada pelas classes socialmente desfavorecidas dada a qualidade do ensino gratuito, resultando na má aplicação dessa norma e em preconceitos por parte dos indivíduos que se consideram eruditos.
Dessa maneira, urge que a pluralidade do idioma português seja valorizada no Brasil. Assim, é incumbência do Ministério da Educação, por meio da maior destinação de investimentos financeiros em políticas de valorização do ensino público, atuar melhorando a qualidade desse ensino nas escolas para que o processo proposto por Bourdieu seja combatido, aumentando a pluralidade linguística. Além disso, cabe a esse mesmo Ministério realizar uma parceria com setores socialmente engajados, como as universidades, para desenvolver projetos de formação continuada com o fito de aprimorar didaticamente os professores. Destarte, esses educadores serão capazes de valorizar as variantes dialéticas durante as aulas, combatendo as concepções de que existe uma forma “correta” de falar.