Preconceito Linguístico

Enviada em 25/10/2018

Durante boa parte do período colonial, no século XVI, a língua mais usada no Brasil, a qual os jesuítas empregaram para catequizar os índios, foi a chamada “língua geral”, baseada no tupi antigo, porém, com a expulsão dos jesuítas no século XVIII e a proibição do ensino em qualquer língua que não fosse o português, a língua geral desapareceu. Ao levar em consideração os fatores históricos, pode-se perceber que o preconceito linguístico no Brasil advém, não somente do preconceito social ligado a variação linguística, como também da prática autoritária escolar no letramento.

Sob esse viés, pode-se apontar como uma das causas desse preconceito social, a discriminação utilizada contra o dialeto, o qual o uso do seu termo sempre foi carregado de preconceito social ou cultural, e utilizado como modo de distinguir a língua dos povos ‘’civilizados’’, em sua maior parte, brancos, das formas supostamente primitivas de falar dos ‘’povos selvagens’’. Em uma entrevista dada ao site Desinformémonos, o escritor e linguista, Marcos Bagno, reconhecido por sua militância contra a discriminação social por meio da linguagem, desnaturaliza o conceito do ‘’dialeto’’ e deixa à mostra a ideologia de exclusão social e de dominação política pela língua, tão impregnada nas sociedades ocidentais.

Além disso, ressalta-se que o preconceito nas sociedades ocidentais deriva, principalmente, das práticas escolares no português, as quais tem caráter autoritário, e muitas vezes impõe o esquecimento da própria língua do indivíduo, a fim de que o mesmo aprenda um modelo de linguagem imposto, visto que, qualquer manifestação fora desse modelo é considerada como um erro e o autor da variação é reprimido, censurado e ridicularizado, o que acarreta a autorrejeição linguística. Convém lembrar também, que todo processo de seleção, implica um processo de exclusão, pois, quando, em um país diverso, no qual existe várias línguas faladas, uma delas se torna oficial, as demais línguas passam a ser objeto de repressão.

Sendo assim, percebe-se que a língua tem sido usada como mecanismo de controle e opressão social, contradizendo o seu próprio objetivo, portanto, deve-se, por meio de uma coligação entre o Ministério da Educação e o Ministério da Cultura, reconhecer as variações linguísticas como atividade da cultura nacional e promover um acesso ao letramento a partir de práticas pedagógicas democratizantes, com o apoio de educadores da língua portuguesa para sua aplicação, a fim de que a própria educação não seja perpetuadora do preconceito e da descriminação e assim o país possa seguir com menos exclusão social, e mais igualdade e pacificidade.