Preconceito Linguístico

Enviada em 25/10/2018

O emérito filósofo polonês Zygmunt Bauman dedicou sua vida para estudar a “sociedade humanística”. Dentre seus volumosos 50 livros, Bauman descreve em seu mais notório, Modernidade Líquida, os maiores conflitos sociais contemporâneos. Indubitavelmente, um desses conflitos é o preconceito linguístico, que exerce opiniões previamente supostas por senso comum contra grupos de pessoas devendo ser conscientizado e combatido.

Mormente, é imprescindível o fomento das ideias de Marcos Bagno, doutor em linguística pela USP. Segundo ele, o conhecimento da gramática normativa tem sido usado como instrumento de distinção e de dominação fazendo, assim, com que grupos se sintam ressentidos em cometer um erro gramatical. Ademais, diz ainda que na fala não existem erros, mas sim variantes da Língua Portuguesa que afirmam a promiscuidade cultural brasileira, sendo ela étnica e cultural. Outrossim, as variantes linguísticas demonstram a cultura do povo que as utiliza por meio de suas particularidades. Ainda cima, uma pesquisa realizada pela ONU aponta que 70% da população brasileira é descendente de alguma linhagem africana, afirmando inegavelmente a miscigenação cultural da população, revelando um preconceito obstruído contra seu próprio povo. Salvo, é importante o uso da gramática padrão na escrita, para que a mesma possa ser universal, seja em traduções ou em leituras de demais povos.

Destarte, fica claro a necessidade da conscientização dos jovens estudantes por meio da escola, onde os mestres responsáveis pela área de linguagens devem ressaltar sempre a importância da gramática normativa num documento, mas também das variantes na fala, e que as mesmas não são erros gramaticais, e sim particularidades culturais. Analogamente, o Ministério da Educação deve incluir em sua pauta escolar cartilhas de conhecimento cultural produzidas pelo Ministério da Cultura e Desenvolvimento. Dessa forma pequenos atos podem constituir uma sociedade mais aceitável para todas as culturas.